Entrevista Ian Livingstone – The Noite (Danilo Gentili)

Danilo Gentili recebeu na terça-feira, 22 de dezembro de 2015, Ian Livingstone, criador da série de livros Fighting Fantasy juntamente com Steve Jackson. Confira abaixo como foi esse encontro:

 

 

Entrevista – Gustavo Brauner

O Aventuras Fantásticas entrevistou Gustavo Brauner, tradutor dos livros jogos da série Fighting Fantasy no Brasil publicados pela Jambô Editora.
Confiram a seguir como foi essa entrevista:

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AF: Olá Gustavo!

Em primeiro lugar, meus parabéns pelo excelente trabalho realizado com os livros-jogos. Suas traduções estão agradando a todos os fãs da série. Esperamos ver mais livros da série sendo traduzidos por você.

Gustavo Brauner

Gustavo Brauner

Muito obrigado pelos elogios – fico satisfeito que o pessoal esteja gostando do meu trabalho. Podem ficar tranqüilos que de acordo com o cronograma sou eu quem vai traduzir todos os títulos dos livros-jogos.

AF: Agora vamos às perguntas:


Nome completo: Gustavo Brauner

Cidade onde mora: Porto Alegre, RS

Profissão: Editor (da revista DragonSlayer), tradutor, revisor e linguísta.

AF. Fale um pouco de você. Sua formação, titulação e quais trabalhos está realizando no momento, sejam do seguimento de livros de RPG ou não.

Hmm… Vamos por partes. Eu comecei a estudar inglês no Instituto Cultural Brasileiro-Norte Americano ainda adolescente. Fiz o curso até o fim. Depois me formei em Letras (Inglês) pela PUC do Rio Grande do Sul (1998-2001). Também fiz Mestrado (2002-2003) e Doutorado (2004-2007) em Letras na mesma instituição. Para quem não conhece, a área de Letras é normalmente dividida em duas grandes áreas: Literatura e Lingüística. A minha área é a Lingüística (a ciência que estuda a linguagem) e eu trabalho com Semântica, Pragmática, Filosofia da Linguagem e Ciências Cognitivas (nota: Semântica e Pragmática são as disciplinas que estudam propriedades do significado e o uso da linguagem; a Filosofia da Linguagem lida com questões como a origem, natureza e o uso da linguagem; já as Ciências Cognitivas estudam a inteligência, a natureza do conhecimento e a aprendizagem – todas estas questões, no meu caso, relacionadas à linguagem).

No que tange o RPG, eu comecei a jogar no final de 1991. Tenho e joguei a maioria dos livros-jogos Aventuras Fantásticas da Marques Saraiva. Também joguei Dungeoneer, o “RPG Avançado” baseado nas regras de Aventuras Fantásticas. Joguei muito GURPS (e põe muito nisso!), Vampiro (e outros títulos do antigo Mundo das Trevas), AD&D e, desde a publicação de Dungeons & Dragons 3.0 no ano 2000, muito D&D. Migrei direto para D&D 3.5. Sempre acompanhei a Dragão Brasil e títulos derivados, como a Revista Tormenta e Só Aventuras. Também joguei 3D&T (e todos os seus antecessores – D&T, AD&T, etc.). Experimentei quase todos os títulos de RPG publicados em português (acho que a maioria dos RPGistas brasileiros fizeram isso) e alguns poucos outros em inglês. Minha campanha atual é baseada em d20, mas customizada para o meu próprio mundo de campanha. Também jogo outra campanha pós-apocalíptica baseada em d20.

De trabalho, eu edito e escrevo a DragonSlayer (junto com Leonel Caldela, Guilherme dei Svaldi e Marcelo Cassaro). Reviso praticamente todos os títulos da Editora Jambô – tanto de RPG quanto não-RPG. Eu também estou organizando uma antologia de contos baseados em Tormenta, prevista para outubro deste ano. Como vocês sabem, traduzo os livros-jogos e de acordo com o cronograma sou eu quem vai traduzir todos os títulos da série. O próximo livro é Creature of Havoc, cujo título provisório é “Criatura da Destruição”, que nunca foi publicado no Brasil. Eu também faço tradução, versão, revisão e orientação acadêmica freelancer (acreditem: existem muitas pessoas que sentem-se deixadas de lado e abandonadas por seus orientadores…).

AF. Como e quando foi seu primeiro contato com os livros-jogos da série Fighting Fantasy?

Meu primeiro título da série Fighting Fantasy foi O Calabouço da Morte, da editora Marques Saraiva. Foi amor à primeira vista. É o meu livro preferido da série desde sempre. Isso foi lá por 1991-92. Não sei precisar o ano.

AF. Quanto tempo em média você gasta para finalizar a tradução de um livro destes?

Eu levo em média entre uma semana e uma semana e meia para traduzir e fazer a primeira revisão de um livro padrão de 400 parágrafos (o tamanho dos parágrafos varia bastante e alguns livros têm mais de 400). Somando a segunda revisão, o trabalho total leva duas semanas.

Mas não se apressem em tirar conclusões. A série não está nem um pouco atrasada, nem o mercado de RPG está em crise. Só recentemente o Guilherme e eu decidimos fazer um livro por mês. O planejamento inicial era publicar mais ou menos quatro títulos este ano, mas decidimos publicar mais. É só a partir d’A Masmorra da Morte que vamos publicar um livro por mês. Mas já adianto: como a Jambô também tem outras publicações de peso programadas (como o Guia do Mundo dos Reinos de Ferro), logo pode ser que não saia um livro-jogo todo mês.

AF. Você traduz o livro jogando (na sequência lógica) ou na ordem que vem no livro (não lógica)?

Eu traduzo cada livro na ordem não-lógica. Começo no primeiro parágrafo, passo para o segundo, terceiro e assim por diante.

AF. Explique como se dá o processo de tradução de um livro destes. Desde o momento do contato com você até a entrega para o revisor.

Eu recebo o livro original impresso ou em arquivo digital. Dou uma lida em todo ele, jogo, verifico alguns termos – criaturas, itens mágicos, magias. Me familiarizo com o material, depois começo a tradução. Uma vez traduzido, faço uma primeira revisão. Passo o arquivo por e-mail para o Guilherme (dei Svaldi, editor-chefe da Jambô). Ele passa para o diagramador, que já verifica alguns pontos: erros de digitação, palavras repetidas e, principalmente, a numeração dos parágrafos de escolha – ponto crucial do trabalho.

AF. Dos livros que você traduziu até agora (Fighting Fantasy), qual você mais gostou?

Eu acabei de traduzir A Masmorra da Morte, cujo título da Marques Saraiva era O Calabouço da Morte. Como eu disse, este é o meu livro favorito da série e foi muito legal poder trabalhar nele. Uma das coisas mais interessantes deste trabalho é poder verificar a dinâmica de cada livro. Existem muitas surpresas e eu garanto que existe um livro desta série para cada pessoa.

AF. Sabemos pela editora que você já concluiu os trabalhos do livro “Masmorras da Morte”, então gostaríamos de saber em qual livro da série você está trabalhando no momento?

Creature of Havoc, cujo título provisório é Criatura da Destruição. É um dos títulos mais interessantes, por colocar o leitor como um monstro ao invés de um aventureiro.

AF. Você já “jogou” algum livro destes, com os dados, ficha de aventuras e etc?

É claro! Quando comecei a jogar RPG, no início da década de 1990, joguei vários dos títulos da série Aventuras Fantásticas com “dois dados, lápis e borracha”. Matei e morri um monte de vezes, fui Sortudo e Azarado. Eu às vezes gostava de jogar “com o mesmo personagem”, usando itens que tinha pegado em outros livros… O fato de uma das minhas primeiras rolagens durante a criação de personagem ter sido muito alta também contribuía para eu querer continuar com ele – afinal, não dá para simplesmente dispensar um 12/23/11, né?

AF. Dos livros que saíram anteriormente no Brasil, você já teve acesso à algum?

Vamos ver, de cabeça: O Feiticeiro da Montanha de Fogo, A Cidadela do Caos, O Calabouço da Morte, A Floresta da Destruição, A Cidade dos Ladrões, O Templo do Terror, Mares de Sangue, Mansão das Trevas, Encontro com o M.E.D.O., Nave Espacial Traveller, Fúria de Príncipes (um livro-jogo duplo, para ser jogado por duas pessoas ao mesmo tempo), As Coligações de Kether, A Cripta do Vampiro (um dos meus preferidos), Planeta Rebelde, As Cavernas da Feiticeira da Neve (bem legal), Prova dos Campeões (continuação d’O Calabouço), A Espada do Samurai, Fantasmas do Medo, Demônios das Profundezas, a série Sorcery!: As Montanhas Shamutanti, Kharé – o Porto dos Ardis (muito bom e eu adoro o título em português) e As Sete Serpentes (o último título desta tetralogia, A Coroa dos Reis, nunca foi publicado em português)… Estes são os que eu me lembro. Tinha ainda os dois módulos de RPG: RPGs Aventuras Fantásticas (um livrinho preto, de bolso, no mesmo formato dos livros-jogos que trazia as regras das Aventuras Fantásticas para jogar RPG “de verdade” e duas ótimas aventuras) e Dungeoneer, o excelente livro básico das “Aventuras Fantásticas Avançadas”. Dungeoneer depois teve alguns suplementos: Titan – o Mundo das Aventuras Fantásticas, Out of the Pit – Saídos do Inferno (um bestiário/livro dos monstros) e Blacksand!, um livro enorme e magnífico que trazia regras novas para Dungeoneer, um ótimo sistema de criação de cidades e uma aventura. Havia ainda O Saqueador de Charadas, um suplemento para RPGs Aventuras Fantásticas, se não me engano. Dungeoneer, Blacksand! e Titan são livros de cabeceira para mim. Infelizmente, o último suplemento de Dungeoneer, Allansia, nunca foi publicado em português.

AF. Alguns destes livros foram convertidos para o sistema D20 e, se não me engano, dois deles foram lançados no Brasil. Muitos fãs da série não ficaram totalmente satisfeitos com a tradução pois foram traduzidos alguns nomes chave que eram conhecidos de nós. Qual o cuidado que você tem para não cometer esse engano? Você conhece alguém que seja fã desta série de livros para ajudar em algumas partes da tradução ou basicamente a sua experiência lhe orienta no que pode e no que não pode ser traduzido?

Existem algumas questões quando uma editora traduz e publica um material que já havia sido traduzido e publicado por outra. Como o texto traduzido é direito autoral do seu tradutor, não é possível simplesmente copiar o texto e todos os termos da edição anterior, por infringir direitos autorais. A solução seria comprar esses direitos ou fazer uma nova tradução. O problema de uma nova tradução é a comparação. No caso da série Aventuras Fantásticas, que teve uma boa tradução e a adoração de gerações, traduzir certos termos de maneira diferente daquela com a qual todos já estão acostumados gera todo tipo de controvérsia. Eu tento sempre me manter tão fiel ao texto em inglês quanto possível. Isso gera diferenças com relação à tradução da Marques Saraiva, por exemplo, mas mantém o charme do texto original. Alguns termos de jogo, como regras, não oferecem múltiplas escolhas de tradução. Eu uso da minha própria experiência tanto como lingüista como leitor e tradutor para guiar minhas escolhas. Além disso, o revisor oficial da série é um excelente tradutor e outro apaixonado pelos livros-jogos, Leonel Caldela.

AF. Muito obrigado Gustavo por nos conceder esta entrevista e parabéns por seus trabalhos.

Eu é que agradeço a oportunidade. E, mais uma vez, agradeço também os elogios.

Entrevista com Mel Grant sobre a capa de “O Calabouço da Morte”

A entrevista abaixo foi realizada pelo site fighting fantasy gamebooks e trata-se da ilustração da capa da reedição inglesa do livro “O Calabouço da Morte”, feita por Mel Grant.

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FIGHTING FANTASY™ #3: DEATHTRAP DUNGEON

Deathtrap Dungeon (O Calabouço da Morte) foi a primeira capa encomendada ao talentoso artista da série Fighting Fantasy, Mel Grant. A arte de capa original da Penguin Books foi originalmente ilustrada pelo artista Iain McCaig e é um clássico que permanece popular até os dias de hoje. A nova arte de Mel Grant trata-se de uma releitura de uma ilustração original do interior do livro, onde mostra um esqueleto em um trono no interior do labirinto da Prova dos Campeões.

Esboço Deathtrap Dungeon

Esboço Deathtrap Dungeon

FFG: Mel, de onde veio e quais foram as instruções para essa nova capa?

MG: A instrução para esta capa veio do Jeremy Cox, da Icon Books. Inicialmente, eu iria fazer a ilustração de capa do livro “Citadel of Chaos”, mas Ian Livingstone queria que eu fizesse essa capa primeiro.

Existe um desenho do personagem presente no interior do livro e eles queriam que a arte da capa se baseasse no mesmo. Um jpeg com o desenho me foi enviado por e-mail e eu comecei a ilustração a partir dele.

FFG: Você pode explicar como você pintou a nova capa?

MG: Eu fiz uma série de esboços como aquecimento e então finalmente um esboço em A3 desenhado a lápis azul. Esse eu escaneei, e mandei o jpeg para o Jeremy e o Ian para o “Okay!”. Após pequenas alterações, pintei digitalmente a arte. Ian sugeriu a adição dos ratos e foi isso. Não me lembro exatamente quanto tempo levou para pintar pois também estava fazendo outras coisas ao mesmo tempo, mas eu diria cerca de quatro ou cinco dias. O original foi provavelmente em tamanho A3, mas então eu redimensionei para poder se adequar ao formato do livro.

Desde então, tenho trabalhado em mais alguns em tamanho A2, se aproximando de A1. Quando eu pinto a óleo, geralmente utilizo um quadro de tela ou lona esticada com cerca de 51×76 centímetros. Agora, quando trabalho digitalmente, eu não preciso que seja tão grande. Eu ainda continuarei trabalhando com escalas maiores que o tamanho final, mas sempre redimensionarei para o tamanho correto antes de enviá-los.

Se eu precisar dele maior, isso não será um problema, pois posso escalonar com o Photoshop e então ajustar contrastes, cores e etc. Os esboços a lápis eu geralmente faço em tamanho A3 (A4 acho muito pequeno). Eu escaneio em pares em um scanner A4 e depois uno-os no Photoshop Algumas vezes eu faço esboços maiores e tenho que escaneá-los em várias etapas. Outras vezes eu escaneio as pinturas ou utilizo uma câmera digital.

Deathtrap Dungeon

Deathtrap Dungeon

FFG: O quão grande era a pintura?

MG: A ilustração original geralmente é duas vezes o tamanho das capas, ou maior. É um equilíbrio entre o tamanho e o que o processador pode aguentar. Isso também ajuda se estiver bastante memória RAM. Ás vezes, eu estou manipulando pixels tão rápido que esqueço que o computador tem um trabalho a manter. Eu trabalho em 360 dpi, mas frequentemente agora estou utilizando 400 dpi. Uma das grandes vantagens de se trabalhar digitalmente é que a tela é flexível.

Para produzir uma capa, a menos que eu tenha instruções específicas do que exatamente é desejado, eu leio o livro e vejo o que me inspira. Para os livros da série Fighting Fantasy, eu tive uma descrição de ação, na qual eu utilizava e poderia usar minha imaginação a partir disso. O pontapé inicial é uma série de pensamentos e desenhos que chega a ser por vezes, doloroso. Uma vez que eu tenha o esboço e esteja feliz com ele, eu transfiro-o para uma tela se a pintura for à óleo, ou para o computador, caso a pintura seja digital. E então eu só irei me divertir com ele até que ele esteja pronto.

Estou planejando produzir um livro com meus trabalhos. É a próxima coisa da minha lista a fazer. Eu já tenho uma boa idéia para o conteúdo e a forma como deve ser, só falta encontrar a editora e o momento certo.

FFG: Obrigado Mel!

Comparação das duas edições