09. Mares de Sangue

Mares de Sangue

Mares de Sangue

Título original em Inglês:
Seas of Blood

Título em Português (PT):
Não editado

Numeração original:
# 16

Autor:
Andrew Chapman

Lançamento (edição original):
Julho de 1985

Ilustrações:
Bob Harvey.

Ilustração da capa por:
Rodney Matthews

Tradução para Português-BR:
Lilia Leal de Oliveira

A cidade de Tak, ao final norte do Mar Interior, é o maior covil de ladrões, piratas e assassinos que o mundo civilizado jamais viu. Nesta cidade de escória, existem dois piratas famosos por sua cobiça implacável, seus ataques surpresa bastante audaciosos e seus incontestáveis confrontos com a morte. Um deles é Abdul, o Açougueiro. O outro é você. Somente um pode ser o Rei dos Piratas. É feita uma aposta, e se inicia a corrida. Mas qual dos dois vencerá?

Bem vindos ao Mar Interior. Uma das áreas mais disputadas de Khul e lar de terríveis piratas, que freqüentemente assaltam barcaças, saqueiam vilas inteiras e roubam outros piratas. A maior parte destes bandidos do alto-mar vem da cidade de Tak, no extremo norte do Mar Interior. Nessa cidade infernal, encontram-se todas as sortes de bucaneiros, saqueadores, piratas e assassinos. Neste lugar de vilania, há dois piratas muito famosos e conhecidos – e temidos – pelos moradores do mundo civilizado desse mar. Um deles é Abdul, conhecido como o Açougueiro (para ter esse apelido, boa coisa ele não deve ser!) e o outro é o protagonista, capitão da tripulação do navio pirata “Banshee”. O amor pelo jogo e pela bebida jamais deixou ambos realmente ricos, mas não é de fato a riqueza que move esses dois, mas, principalmente, o desejo de aventurar-se e enfrentar a morte no mar. Os dois piratas também são reconhecidos pela extrema rivalidade onde um tenta sobrepujar o outro em saques e corridas no mar perigosíssimas. Um dia os dois resolvem fazer uma aposta arriscada: Deverão viajar até a Ilha de Nippur, no extremo sul do Mar Interior, em um período máximo de cinqüenta dias. Ao final deste tempo, quem chegar até lá com a maior quantidade de ouro e jóias pilhados, será considerado o “Rei dos Piratas, Saqueador de Cidades e respeitado para sempre em Tak. Com a concordância de ambos, o desafio é então lançado. Segue-se após isto uma intensa corrida em alto mar pelo título jamais alcançado. O Mar Interior, no entanto, está longe de ser um lugar de fácil navegação. Ele é repleto de portos hostis, cidades belicosas, ilhas misteriosas, monstros marinhos capazes de afundar uma embarcação inteira, piratas e feiticeiros misteriosos. O protagonista para conseguir êxito na árdua missão, deverá saquear barcos cheio de ouro, enfrentar exércitos de outros reinos, lutar contra criaturas do mar e desafiar outros piratas em batalhas até a morte.

Mares de Sangue é basicamente um livro de piratas, o qual eu particularmente considero um dos melhores da série e também é muito querido por boa parte dos fãs. O herói, na verdade, desta vez é um anti-herói conhecido como um dos maiores piratas de Tak. Ele e sua tripulação a bordo da “Banshee” deverão pilhar o maior número possível de ouro e riquezas para vencer a disputa com seu arquiinimigo Abdul. O bom do livro é que ele lhe dá mais uma vez (e essa é talvez a maior característica do escritor   Andrew Chapman) a liberdade de escolha por quais rotas e caminhos seguir. Os piratas poderão seguir por mar aberto, assaltando quaisquer navios repletos de riquezas que encontrarem, assaltar pequenas cidades na costa e encontrar tesouros perdidos, aventurando-se por ilhas desertas e cheias de perigos. Com isso, o autor desenvolveu um livro que, apesar de não ser politicamente correto, lhe dá ampla liberdade para percorrê-lo. No entanto o protagonista precisará ficar atento aos dias de viagem, pois há um tempo limitado para isto. Se ao final desse tempo, o leitor não tiver alcançado a ilha de Nippur, então o jogo terá terminado. Outra característica marcante desse livro é a presença de batalhas, ou seja, lutas entre sua tripulação contra exércitos, bandos inimigos ou hordas. São basicamente semelhantes às lutas individuais, mas que, no entanto, podem reduzir o volume de sua tripulação, deixando-a mais fraca e exposta a outros ataques.

Outro marco desse livro é a sua falsa facilidade. O livro é até simples de se concluir, bastando que o navio chegue até a Nippur. Difícil mesmo é superar a quantidade de ouro de Abdul, o que faz Mares de Sangue tornar-se um livro bem difícil. Há pouquíssimos caminhos corretos que fazem o ouro do protagonista superar o de Abdul. Mares de Sangue é um livro muito divertido porque amplia um pouco o horizonte do leitor; não um simples aventureiro em busca de ouro e fama, mas além – um capitão de um navio pirata. A aventura também parece em muitos casos ter sido inspirada nas histórias de Conan, o Cimério e em outros casos de King Kong (como a ilha dos animais gigantes), mas que não diminui o brilho dessa fascinante aventura, uma vez que há lugares muito originais, como a ilha do templo fortaleza dos sacerdotes guerreiros. É com esta originalidade que o autor conseguiu criar uma série de locais fantásticos e situações intrigantes que fazem este livro como único da série: não apenas uma história repleta de saques, roubos e assassinatos, mas situações cheio de desafios até mesmo para o mais corajoso dos heróis como por exemplo, a ilha da feiticeira que transforma visitantes em animais, a luta contra o Guardião de Nippur, fantasmas em tumbas esquecidas, tribos de homens-lagartos canibais, a resistência armada de algumas vilas e também as sucessivas fugas de outros exércitos, uma vez que reinos civilizados como Lagash, Calah e Kish possuem como esporte principal à caça aos piratas. Mares de Sangue é um livro muito diferente, com um anti-herói como protagonista, que não está nem aí para a ordem e a salvação do mundo, mas simplesmente para  alimentar seus caprichos egoístas e sua sede de ouro, mesmo que tenha que derramar inúmeras vidas para isso; com uma motivação nada ética, mas que, talvez por isso mesmo, consegue ser extremamente encantador, apesar de sua razoável dificuldade.

Notas e curiosidades:

  • Embora o Mar Interior, onde localiza-se a aventura Mares de Sangue, esteja situado em Khul, no mundo fictício de Titan, esta não era a intenção original do autor Andrew Chapman. Ele construiu um mundo de geografia e história próprios, o qual também foi usado em outros livros escritos por ele independentes, como exemplo “Ashkar, the Magnificent”, onde o mapa de Mares de Sangue é exatamente igual.
  • Os nomes dados às cidades e ilhas do Mar Interior são em sua maioria retirados de cidades históricas da antiga Mesopotâmia, que faziam parte do antigo “Crescente Fértil”, no Oriente Médio há pelo menos cinco mil anos antes de Cristo, como é o caso de Kish, Lagash, Nippur, Shurrupak e Kirkuk, que eram cidades pertencentes a reinos como a Suméria, a Arcádia e a Babilônia.
  • Quando este livro foi escrito, Titan ainda estava em desenvolvimento, por isso não há menção do nome Khul, que é o continente onde se situa este livro.
  • A ilustração que deveria ser a referência 04 não foi publicada pela editora brasileira.
  • Os piratas do Mar Interior não possuem nenhum tipo de arma de fogo como os piratas de Allansia, que possuem canhões nas laterais dos navios (facilmente visível nas ilustrações dos livros “A Cidade dos Ladrões” e “Demônios das Profundezas”). As armas dos piratas de Khul são basicamente espadas, cimitarras, bestas e ganchos.
  • Banshee (nome do navio do protagonista) é um ente fantástico da mitologia Celta. As Banshee provêm da família das fadas, e é a forma mais obscura delas. Quando alguém avistava uma Banshee sabia logo que seu fim estava próximo: os dias restantes de sua vida podiam ser contados pelos gritos da Banshee: cada grito era um dia de vida e, se apenas um grito fosse ouvido, naquela mesma noite estaria morto.
  • Foi o nono livro publicado no Brasil.

Localização: Khul, Titan.
Localidades: Ilhas e cidades do Mar Interior.
Referências: 400

Review por: Thiago Macieira

5 Respostas

  1. O interessante nesse livro é a mistura de influências. Encontramos várias similaridades às aventuras de Sinbad – a atmosfera árabe é evidente,basta ver as ilustrações e nomes presentes no jogo – tais como encontros com Gigantes,a luta contra o Pássaro Roc,um monstro marinho confundido com uma ilha e confrontos com navios, piratas ou não. Há também nítidas referências às aventuras de Ulisses narradas na Odisséia: Ciclopes, a Ilha dos Ventos,bois e vacas sagrados,a feiticeira que transforma homens em animais…. A influência mesopotâmica,como tão bem reportada no review,é notável: encontramos não só nomes de cidades reais como também há referência ao semi-deus babilônico Utnapshitim.

  2. Boas. Gostava de saber onde está o link para download deste livro? Como não foi editado em Portugal não o tenho, gostava de ver a história.

    Cumprimentos

  3. Infelizmente não foi publicado em Portugal, gostaria muito de ler este livro?

  4. muito interessante o livro, não diria que é fácil, nem aparentemente.

    No fim, no entanto, notei um erro grosseiro. A disputa final da margem para empate, que não está previsto nas opções. Isso foi justamente o que aconteceu comigo na primeira vez que cheguei ao fim(deveria ter economizado mais).
    seria interessante um final em que ambos terminassem com a mesma quantidade e dividissem o títlo novamente, ou uma disputa final de desempate entre os dois, de preferência uma disputa de charadas ou algo do gênero, pois o personagem chegou ao fim exaurido. Mas, mesmo se fosse uma batalha quase impossível, ou simplesmente dizer menor ou igual ao fim da mensagem, seria melhor que chegar ao fim e descobrir que não há opção para você… frustrante.

  5. no mínimo cinco mortes instantâneas

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