15. A Nave Espacial Traveller

A Nave Espacial Traveller

A Nave Espacial Traveller

Título original em Inglês:
Starship Traveller

Título em Português (PT):
A Nave Perdida

Numeração original: # 4

Autor:
Steve Jackson (Reino Unido)

Lançamento:
Agosto de 2015

Ilustrações:
Peter Andrew Jones

Ilustração da capa por:
Daniel HDR e Thiago Ribeiro

Tradução para Português-BR:
Gustavo Brauner

Sugada através do Vazio Seltsiano, a nave espacial Traveller emerge do outro lado desse buraco negro em um universo desconhecido. VOCÊ é o capitão da Traveller e o destino dela jaz em suas mãos. Será que você conseguirá descobrir o caminho de volta para a Terra através dos povos alienígenas que encontrar e dos planetas que visitar, ou será que você e sua tripulação estão destinados a vagar pelo espaço desconhecido para sempre?

Tudo de que você precisa para embarcar nesta emocionante aventura entre as estrelas é um lápis, uma borracha e dois dados! Você tem uma tripulação inteira para comandar, além da própria nave espacial. Há muitos perigos à frente, e o sucesso não é garantido. VOCÊ decide que caminho tomar, contra quais perigos se arriscar e quais adversários enfrentar!

“A Nave Espacial Traveller” é uma aventura de ficção científica, localizada em um futuro muito distante. O protagonista é um comandante cuja nave e tripulação foram acidentalmente sugados por um buraco negro e lançados para um quadrante desconhecido do universo. A partir desse ponto, a missão do jogador será encontrar os meios necessários para retornar a Terra, coletando pistas de diferentes planetas para poder alcançar tal meta. Uma vez do outro lado do temível buraco negro conhecido como Vazio Seltsiano, a tripulação da nave Traveller encontra-se completamente perdida e literalmente à deriva, pois a localidade do espaço na qual a nave se encontra é completamente desconhecida. Trata-se de uma passagem dimensional em um universo paralelo. A única forma de retorno será encontrar as coordenadas de onde o buraco negro irá se formar outra vez e atravessá-lo no tempo e local exatos. Um número errado significará a condenação da nave e da tripulação, uma vez que o buraco poderá levá-los para uma localidade ainda mais longínqua ou mesmo destruí-los. Durante a busca pelas coordenadas corretas, o capitão e o resto da tripulação da Traveller necessitarão vasculhar planetas desconhecidos e outros sistemas galácticos. A busca resultará no encontro de planetas desertos ou povoados; de habitantes hostis ou amigáveis; de povos com inteligência infinitamente superior à da raça humana ou completamente inferior e bárbara, além de alienígenas, robôs e outros seres espaciais.

Esta é a aventura que de fato é o sonho para qualquer fã de “Jornada nas Estrelas” e com toda a certeza foi a grande inspiração de Steve Jackson para a criação desta história. Após o sucesso do livro “O Feiticeiro da Montanha de Fogo”, os dois criadores da série resolveram escrever livros separados. Ian Livingstone resolveu explorar o continente de Allansia e dedicar-se mais aos livros de fantasia épica, com cada um escrevendo um livro por vez. Jackson escreveu “A Cidadela do Caos”, depois foi a vez de Livingstone escrever “A Floresta da Destruição”. Quando chegou a sua vez, Jackson resolveu bolar uma história de ficção científica e adequar a série Fighting Fantasy para outros tipos de categorias, não a limitando somente a livros de fantasia. Com isso escreveu uma aventura divertida e com diversas regras e novidades. Algumas dessas novidades compreenderiam a inserção de dois novos estilos de combate, além do corpo-a-corpo. Esses dois combates seriam o combate com naves e o com armas de fogo, que permitem reduções drásticas de Energia do oponente. Outra variável de grande destaque é a opção do leitor poder controlar diversos personagens da tripulação, dentre eles o Oficial de Ciências, que pode informá-lo a respeito de problemas gerais e dúvidas com relação a itens e seres vivos de outros planetas; Oficial de Medicina, um médico que pode curá-lo de seus ferimentos e desenvolver remédios para doenças e toxinas; Oficial de Engenharia, profundo conhecedor da nave e de geologia; Oficial de Segurança, hábil com armas e responsável pela segurança da nave e da tripulação e dois Guardas de Segurança. O Capitão, que será interpretado pelo leitor, poderá levar um ou mais destes tripulantes para acompanhá-lo pelos planetas e encontrar as coordenadas.

De fato, Steve Jackson conseguiu desenvolver uma boa história que, apesar de ser uma das mais curtas da série com apenas 343 referências, também é bem cativante. Quem não é muito fã de aventuras espaciais ou de filmes de ficção científica, é melhor nem ler este livro. Mas para quem gosta com certeza não vai se decepcionar. Há todos os elementos de uma boa aventura espacial: alienígenas, batalhas entre naves espaciais, planetas a serem investigados, máquinas de teletransporte, armas de raios lasers, povos intergalácticos de altíssima inteligência e povos selvagens e bárbaros. Somente o sentimento de ser o comandante de uma nave espacial de grande importância e sabendo que o leitor é a única esperança de sucesso para sua tripulação já vale uma boa leitura. Certas partes da aventura são escritas para testar a capacidade de liderança do leitor, pois ele precisa em certos momentos acalmar a tripulação, prestes a formar um motim por conta da situação desesperadora. Com isso o capitão, além de lutar contra diversos inimigos do espaço também precisa controlar uma tripulação à beira da loucura. Cada planeta visitado reserva uma caixa de surpresas, pois não se sabe que seres o habita, se é hostil, etc. Infelizmente as ilustrações não são tão perfeitas assim, muitas delas são de difícil compreensão e deixam muito a desejar, mas há algumas poucas exceções, no entanto, não comprometem a boa aventura intergaláctica a nós apresentada – a primeira da linha.

Notas e curiosidades:

  • “A Nave Espacial Traveller” é diferente dos outros da série por várias razões. Foi a primeira aventura a ser baseada no espaço com um enredo de ficção científica, ao contrário da tradicional aventura de fantasia e foi o primeiro a possibilitar o leitor jogar com mais de um personagem, consistindo em controlar os níveis de Habilidade e Energia dos outros personagens e interpretar o seu próprio – o capitão da Traveller.
  • Como o livro se baseia em uma extensa viagem com uma espaçonave, ele desenvolveu um modelo de combate próprio com naves inimigas.
  • O livro é o menor da série, consistindo em 340 referências e mais três referências que são explicações dos modelos de combate corpo-a-corpo, de espaçonaves e de armas de fogo.
  • O livro possui muitas similaridades com o a série “Jornada nas Estrelas” (Star Trek). A tripulação usa mecanismos e equipamentos de teletransporte para visitar planetas, a nave possui um sistema de armas parecido com a Enterprise (nave da série original) e a tripulação também possui diversas igualdades.
  • Traveller é um sistema de RPG americano que Jackson afirmou ser um dos seus favoritos em entrevista. Na época do lançamento original deste livro, este RPG estava em franco crescimento.
  • Este livro não possui um histórico ou uma introdução. Passando as regras, o livro segue direto para a aventura iniciada na referência 1.
  • Jackson dedicou este livro para todos os funcionários e membros da Cadeia de jogos Games Workshop (até aquela época), da qual ele e Livingstone foram fundadores.
  • Muitos nomes encontrados na aventura se referem a apelidos e outras características desse pessoal.
  • Uma versão digital dessa aventura, desenvolvida pela Tin Man Games, foi lançada para Steam, Android e iOS.

Localização: Espaço
Localidades: Galáxia desconhecida
Referências: 340
Ilustrações: Existem 27 ilustrações de página inteira e 9 ilustrações menores que se repetem. Os parágrafos que contém as ilustrações de página inteira são: 1, 13, 28, 39, 53, 65, 79, 91, 105, 118, 132, 145, 157, 171, 182, 196, 209, 222, 236, 248, 261, 273, 288, 300, 314, 327, e 340.

Encontros:

  • Águia (Eagle)
  • Coletor (Scavenger)
  • Criaturas do Bar (Bar creatures)
  • Ganzigita (Ganzigite)
  • Guarda (Guard)
  • Guarda Alienígena (Alien guard)
  • Guarda Armado (Armoured guard)
  • Luff
  • Maliniano (Malinian)
  • Nave Alienígena (Alien ship)
  • Robô Assassino (Manslayer Robot)
  • Seu Guarda (Your guard)
  • Squinn
  • Técnico (Technician)
  • Terryalano (Terryal)
  • Velho (Old Man)
  • Você (You)

Erratas:

  • Os nomes Prax e Trax aparentemente referem-se ao mesmo planeta. Na referência 194 aparece escrito como Trax (2x) e na referência 233 aparece escrito como Prax.

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Review por: Thiago Macieira

14. Encontro Marcado com o M.E.D.O.

Encontro Marcado com o M.E.D.O.

Encontro Marcado com o M.E.D.O.

Título original em Inglês:
Appointment with F.E.A.R.

Título em Português (PT):
Encontro com o M.E.D.O.

Numeração original: # 17

Autor:
Steve Jackson

Lançamento:
Abril de 2015

Ilustrações:
Declan Considine

Ilustração da capa por:
Daniel HDR e Thiago Ribeiro

Tradução para Português-BR:
Fabiano Silveira

Um corajoso e incorruptível campeão da lei e da ordem, VOCÊ é o Cruzado de Prata, usando seus superpoderes para proteger os cidadãos inocentes da movimentada Titan City das intrigas de um bando de supervilões.

O arquivilão é o Ciborgue Titânio, chefe da conhecida organização M.E.D.O. Terrorismo, violência, sequestro, corrupção — nada é terrível demais para o M.E.D.O.

Então, quando vazam informações sobre uma reunião secreta dos líderes do M.E.D.O. em Titan City, sua missão é clara: descobrir o local do encontro, capturar o Ciborgue Titânio e seu grupo e levá-los à justiça.

O protagonista desta vez é o Cruzado de Prata, um super-herói a serviço do bem, que usa seus superpoderes para levar criminosos de alta periculosidade para a cadeia. Como a maioria dos heróis contemporâneos, sua identidade permanece secreta. Seu alter-ego é Jean Lafayette, que nas horas vagas trabalha em um escritório simples no centro da metrópole de Titan City. Mas quando o dever chama, este se transforma no herói da justiça e da ordem com o intuito principal de proteger a população inocente da cidade dos terríveis vilões. Recentemente ele descobriu através de seu contato, Gerry da Grama – um estudante que procura sempre auxiliar o herói e informá-lo quando o perigo está ocorrendo – de um encontro nos próximos dias da maior organização criminosa do mundo, o M.E.D.O. (Movimento Euro-americano de Destruição e Oposição), que está planejando algo tão terrível que poderá levar à cidade inteira ao caos. O objetivo do herói será descobrir pistas que o levará até o local e hora exatos da reunião secreta e prender seus líderes. No entanto, a investigação não será fácil, uma vez que ela é constituída de uma série de criminosos e outros vilões equipados com terríveis poderes a serviço do mal. No caminho do herói haverá confrontos letais contra o Brincalhão Escarlate (um maníaco vestido de bobo da corte que adora cometer crimes pregando peças contra suas vítimas); o Dr. Macabro (um cientista responsável por experimentos proibidos com seres humanos); O Serpente (um bandido caracterizado por sua mordida extremamente venenosa) e os Alquimistas (bando de assaltantes de banco que utilizam armas químicas altamente destrutivas). O líder desta organização de supervilões lunáticos é um homem conhecido como Vladimir Utoshsky, uma mente brilhante que decidiu utilizá-la para o mal, porém, mais conhecido como Ciborg Titânio – por conta de circuitos eletrônicos poderosíssimos conectados ao seu corpo que lhe dão força excepcional, além de outras armas secretas incrivelmente perigosas.

Nesta aventura, o Cruzado de Prata possui um de quatro superpoderes que poderão ser utilizados. Superforça, que dá ao personagem uma força extremamente atroz, além da faculdade de voar a grande velocidade; Rajada de Energia, um raio de calor e energia disparado da ponta dos dedos capaz de estontear um ser vivo; HTA ou Habilidade Tecnológica Avançada, que consiste em uma série de utensílios criados pela mente altamente desenvolvida do herói, guardada em seu cinto de utilidades e que permite usá-lo em situações de urgência e Poderes Psíquicos, que dá ao herói poderes de manipulação da mente, mover objetos com a força do pensamento e ler mentes, mas que, no entanto, precisa de tempo para concentração. O herói será avisado do perigo através de seu relógio do crime, um dispositivo que sempre apita, acionado pelo seu contato principal, Gerry da Grama, que por sua vez está sempre procurando informações do submundo para prover ao herói. Quando Gerry descobre algo errado, o protagonista sempre será informado. O Cruzado de Prata não utiliza nenhum tipo de arma e, por ser um servidor incondicional da lei, ele jamais matará algum criminoso e nem fará justiça com as próprias mãos. Por isso, como dever cívico e moral, ele sempre prenderá os bandidos, deixando a justiça para a polícia e para a lei. Em muitas situações, o herói deverá descobrir pistas dos bandidos através de seus crimes executados e em outras ele deverá impedir tragédias iminentes como desastres aéreos, ataques de animais selvagens, cataclismas naturais e acidentes humanos, embora muitos deles possam ter sido perpetrados por criminosos do M.E.D.O. No final da aventura, o herói terá coletado uma série de pistas e informações vitais que o levarão para o encontro secreto e ao iminente confronto com seu líder, Ciborgue Titânio.

Uma aventura muito bem escrita e trabalhada. Com uma série de referências e homenagens, Steve Jackson nos proporciona uma aventura única e também muito divertida.

Com o intuito de deixar a série de livros-jogos mais abrangente, o autor decidiu criar uma aventura baseada principalmente nos grandes gibis em quadrinhos, do qual há inúmeros fãs. Talvez para homenageá-los, Jackson escreveu esta exótica, porém bem desenvolvida aventura. O livro não é de nenhuma maneira linear, uma vez que o leitor terá diversos caminhos que poderá escolher que, por sua vez, o levará para uma série de situações. Cada escolha do herói o levará para um destino diferente, onde a escolha de um poder errado poderá ser fatal, embora um poder escolhido apropriadamente o levará a uma situação bem mais favorável. O livro parece possuir três dificuldades. Fácil, se você escolher a habilidade de Superforça; médio, para HTA e Rajada de Energia e difícil, se você escolher Poderes Psi, uma vez que este poder não possui utilidade para a maioria dos eventos encontrados na aventura. Cada poder levará o herói para um caminho diferente na aventura e também para lutas contra supervilões diferentes. Dependendo das pistas encontradas pelo herói, ele também o levará para pelo menos quatro finais diferentes, onde o encontro secreto será realizado. Outras características marcantes da aventura são a variedade de lugares que o herói poderá visitar como o circo, o porto, laboratórios, shoppings e etc. Titan City é uma cidade muito grande e há inúmeros locais que poderão ser vasculhados pelo herói para impedir tragédias, caçar criminosos e coletar pistas. Muitas vezes, o herói também deverá ser um investigador, pois haverá assassinatos e roubos a bancos que somente com a coleta das pistas corretas que ele poderá encontrar os responsáveis.

A imensa criatividade de Steve Jackson permitiu a criação de supervilões muito originais como o Torturador e o Envenenador, embora há também várias homenagens aos vilões dos quadrinhos, como o Brincalhão Escarlate, como o Coringa da série Batman. Pela variedade de ação, investigação policial e até mesmo algum lazer pessoal para o personagem (como uma ida ao parque de diversões ou ao teatro), o livro também se torna único entre todos. Apesar da série possuir como carro-chefe as aventuras de fantasia medieval, Jackson nos presenteia com uma aventura que não decepciona nem os fãs mais ortodoxos e agrada principalmente aos grandes fãs de histórias de super-heróis.

Notas e curiosidades:

  • Diferente da maioria, este livro possui 4 soluções distintas, dependendo de qual super poder foi escolhido no início da aventura. Na verdade, é possível completar a aventura duas vezes utilizando dois super-poderes diferentes sem ler qualquer uma das seções ambas as vezes, exceto a primeira e a última. Isso adiciona valor ao fator replay do livro.
  • O livro é o único da série com temática de super-herói.
  • Como o protagonista é um herói a serviço da lei, ele está impedido de matar um criminoso, mas somente deve desarmá-lo e prendê-lo para levá-lo até às autoridades policiais.
  • O livro possui um quadro conhecido como Pontos de Herói, ganhos a cada ato heroico realizado como a prisão de um malfeitor ou o impedimento de um desastre que, embora não possua nenhuma utilidade prática durante o jogo, serve apenas para comparar as conclusões do herói. Ou seja, a cada vez que o leitor concluir o livro, ele terá mais ou menos pontos de herói que poderão lhe informar se ele fez mais atos heroicos se comparados com a aventura anteriormente jogada.
  • Os poderes do herói também são uma homenagem aos poderes utilizados pelos heróis dos quadrinhos. Superforça, utilizado pelo Superman; Rajada de Energia, utilizado pelo Ciclope da série X-Men; HTA, utilizado pelo Batman (inclusive o cinto de utilidades) e Poderes Psi utilizados pela Jean Grey, também dos X-Men.
  • Há uma situação no livro de propaganda da série, quando Jean Lafayette adquire um livro para dar ao seu chefe, como forma de compensar seu atraso ao trabalho, comprando “O Feiticeiro da Montanha de Fogo”, primeiro livro escrito da série, ou o jogo Banco Imobiliário, da Estrela (embora no original, o jogo seja uma edição de tabuleiro da série Dungeons & Dragons).
  • O nome da cidade, Titan City, refere-se ao mundo fictício de fantasia medieval onde ocorre a maioria das aventuras dos livros da série Fighting Fantasy.
  • O livro é único da série por utilizar a temática dos super-heróis em quadrinhos, havendo diversas referências neste sentido, como é o caso do milionário encontrado morto Wayne Bruce, que é o alter-ego de Bruce Wayne/Batman; Roger Stevens, que é Steven Rogers/Capitão América; Jonah White, uma combinação de Perry White (editor e jornalista do Planeta Diário e chefe do Superman e J. Jonah Jameson, editor e jornalista chefe de Peter Parker/Homem-Aranha); Michael Blackson (referência a Michael Jackson); Richard Storm e Susan (referências ao Quarteto Fantástico) além das referências ás localidades, como Laboratórios Peter e o Aeroporto Parker (Peter Parker/Homem-Aranha); Rua Clark (referência a Clark Kent, o Super-Homem); Rua Banner (Bruce Banner, o Hulk); Laboratórios Nucleares Murdock (referência a Matt Murdock, o Demolidor); Satélite Guerra nas Estrelas (Star Wars); Piscina Stanley (Stanley Martin Lieber, o Stan Lee); Rua Grimm (Irmãos Grimm) e a Criatura da Carnificina como uma referência ao herói bíblico Sansão.
  • A referência 157 reedita o evento ocorrido em 22 de novembro 1963 com o assassinato do presidente estadunidense John F. Kennedy, no estado do Texas.
  • Dr. Charles Crayfish trabalha em um projeto de interesse do M.E.D.O.; um satélite conhecido como Guerra nas Estrelas, que orbita ao redor da Terra carregado de armas nucleares. Na verdade este projeto foi proposto e idealizado pelo presidente norte-americano Ronald Reagan na década de 80, por conta da Guerra Fria contra a União Soviética.
  • Outros nomes homenageados incluem a praça Addison Square Garden (Madison Square Garden); Praça Radd (referência a Norrin Radd, o Surfista Prateado); Praia Starkers, referindo-se a Tony Stark/Homem-de-Ferro; Hangar Xavier, Hangar McCoy e Hangar Summers (clara referência aos X-Men) e a Wisneyland (Disneylândia).
  • No original, M.E.D.O. (Movimento Euro-americano de Destruição Oposição) é F.E.A.R. ou Federation of Euro-American Rebelds (Federação dos Rebeldes Euro-Americanos).
  • Uma versão digital dessa aventura, desenvolvida pela Tin Man Games, foi lançada para Steam, Android e iOS.
  • Uma continuação dessa aventura em formato mais curto (200 referências) foi publicada em 1986 na edição de número 12 da revista Warlock. Esta nova aventura chama-se Deadline to Destruction, escrita por Gavin Shute.

Localização: Terra
Localidades: Titan City
Referências: 440
Ilustrações: Existem 32 ilustrações de página inteira e 5 ilustrações menores que se repetem. Os parágrafos que contém as ilustrações de página inteira são: 1, 15, 29, 43, 58, 72, 85, 99, 114, 129, 144, 157, 171, 185, 201, 215, 228, 242, 256, 270, 284, 298, 313, 327, 341, 355, 369, 382, 396, 410, 425 e 440.

Encontros:

  • Alquimista (Alchemist)
  • Androide (Android)
  • Armador (Mantrapper)
  • Assassino (Assassin)
  • Batedor de Carteiras (Pickpocket)
  • Brincalhão Escarlate (Scarlet Prankster)
  • Bronski “Serra Elétrica” (Chainsaw Bronski)
  • Cachorro Radioativo (Radiation Dog)
  • Ciborgue Titânio (Titanium Cyborg)
  • Criatura da Carnificina (Creature of Carnage)
  • Criatura do Chafariz (Fountain Creature)
  • Devastador (The Devastator)
  • Dr. Macabro (Dr Macabre)
  • Fera de Quatro Braços (Four-Armed Beast)
  • Gata-Tigre (Tiger Cat)
  • Guarda-Costa (Bodyguard)
  • Guerreiro de Fogo (Fire Warrior)
  • Homem-Tigre (Tiger Man)
  • Illya Karpov (Illya Karpov)
  • Leão (Lion)
  • Múmia (Mummy)
  • O Atormentador (The Tormentor)
  • O Mestre do Picadeiro (The Ringmaster)
  • O Reencarnação (The Reincarnation)
  • O Serpente (The Serpent)
  • Papai Rico (Daddy Rich)
  • Rainha do Gelo (Ice Queen)
  • Sidney Knox (Sidney Knox)
  • Tubarão (Shark, Ripper Shark)

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Review por: Thiago Macieira

13. A Ilha do Rei Lagarto

A Ilha do Rei Lagarto

A Ilha do Rei Lagarto

Título original em Inglês:
Island of the Lizard King

Título em Português (PT):
A Ilha do Rei Lagarto

Numeração original: # 7

Autor:
Ian Livingstone

Lançamento:
Dezembro de 2013

Ilustrações:
Alan Langford

Ilustração da capa por:
Fabrício Bohrer e Ricardo Riamonde

Tradução para Português-BR:
Gustavo Brauner

Raptados pelos Homens-Lagarto da Ilha de Fogo, o povo de Baía das Ostras enfrenta escravidão, fome e a ameaça constante da morte. Seu novo mestre é o Rei Lagarto, que governa com mão de ferro sua terra de monstros e mutantes, usando de força e magia negra. A pedido de um velho amigo, VOCÊ decide navegar até a Ilha de Fogo para resgatar os pobres prisioneiros e acabar com a tirania maligna

Bem-vindo à selva!

A história dessa aventura se inicia no continente de Allansia, na região costeira conhecida como Baía das Ostras, uma área de península isolada do restante do continente, povoada por pescadores humildes e simplórios.

O leitor personifica um aventureiro experiente que deixou a cidade de Fang para viajar rumo ao sul em busca de paz e tranquilidade. Há uma teoria que afirma que o herói dessa aventura é o vencedor do Calabouço da Morte, um terrível labirinto repleto de monstros aberto todos os anos pelo Barão Sukumvit, governante na cidade de Fang e, por isso, “A Ilha do Rei Lagarto” é uma continuação direta da aventura presente no livro “O Calabouço da Morte”.

Esperando encontrar um lugar que lhe pudesse fornecer alguns dias de sossego, o aventureiro descobre que uma tragédia acometeu a outrora pacífica vila de pescadores. Por meio do relato de um antigo amigo conhecido como Mungo, o herói é informado que a maioria dos homens jovens da Baía das Ostras foram sequestrados pelos homens-lagartos da Ilha do Fogo e levados para o trabalho escravo nas minas de ouro da região. Um segundo ataque selou o destino da vila pesqueira, cujas famílias foram destroçadas e a subsistência do lugar foi seriamente atingida.

Comovido com a tristeza e o horror do relato, o aventureiro aceita embarcar com Mungo para a Ilha do Fogo com o objetivo de resgatar os jovens escravizados e por fim de uma vez por todas ao reinado de terror do Rei Lagarto, senhor daquela ilha, que faz do lugar um feudo particular.

A Ilha do Fogo era uma antiga colônia penal construída pelo Príncipe Olaf, então governante do Porto Blacksand (Porto Areia Negra), com o objetivo de se livrar dos ladrões e assassinos indesejáveis da cidade. Porém, como havia bandidos demais naquela fétida cidade de ladrões, os custos para manter o lugar se tornaram altos e ele logo abandonou a colônia penal. Quando os homens-lagartos do lugar contratados para vigiar os prisioneiros deixaram de receber o pagamento, os répteis mataram ou escravizaram os prisioneiros e tomaram a ilha, elegendo entre eles um rei, conhecido como Rei Lagarto, um praticante de feitiçaria, vodu e magia negra. Seus experimentos para criar uma nova raça invencível de homens-lagartos resultou na criação de mutações e aberrações que passaram a povoar a ilha, como plantas carnívoras gigantes e outras feras grotescas artificialmente evoluídas. Poucos conseguiram escapar da ilha para contar esses horríveis relatos.

Este é um livro muito interessante de Ian Livingstone e relativamente fácil se comparado ao “Calabouço da Morte” ou “A Cidade dos Ladrões”, estes sim, dois dos mais difíceis de toda a série. O leitor não precisará vasculhar todo o livro em busca de itens mágicos essenciais para o cumprimento da missão. Também não será necessário gastar páginas e mais páginas com descrições que envolvem portas e corredores. Há poucas masmorras no livro – 90% da história se passa numa selva úmida e tropical, um cenário raro e não muito comum para quem já está acostumado com o estilo do autor. O aventureiro vai precisar andar por planícies, pântanos, rios e minas se quiser alcançar o coração da ilha. Monstros estão por toda parte e o aventureiro vai se deparar com crocodilos, plantas devoradoras de homens, hidras, trolls, caranguejos-gigantes, ursos, dinossauros e, é claro, homens-lagartos. O meu favorito, com certeza é o Gonchong, um parasita extremamente assustador tanto na aparência quanto no conceito, muito inteligente que tem a capacidade de tornar seu hospedeiro um ser controlável, como se fosse um zumbi. Realmente, uma criatura saída de um filme de terror. Mas, também, humanos como piratas e caçadores de cabeças. Infelizmente, é muito difícil conseguir evitar esses encontros e será necessário um valor muito alto de ENERGIA para conseguir sobreviver aos combates. No entanto, ainda assim, os confrontos não são insuperáveis já que existem armas mágicas e peças de armadura que garantem proteções especiais e que podem tornar os desafios mais fáceis. O sucesso pode ser encontrado por vários caminhos e não há uma linearidade.

O livro é marcante em seu início por causa de uma perda irreparável, a morte do amigo boêmio do herói, brutalmente assassinado em apenas três viradas de páginas. (lamentável, pois uma aventura a dois poderia ser muito bem explorada). A aventura vai ficando cada vez mais difícil à medida que o leitor se aproxima do final da campanha. A meio caminho através de sua jornada o aventureiro descobre que o Rei Lagarto é imortal e como ele permitiu que um parasita – o Gonchong – crescesse em sua cabeça. O segredo para derrotar o seu adversário é destruir o Gonchong e para isso, você precisará procurar o Xamã da ilha e ter sucesso em três de seus seis testes.

O clímax da aventura é memorável, com uma grande batalha entre os escravos libertados e os cruéis homens-lagartos, mas o confronto é ligeiramente rápido. Ian Livingstone deve ter percebido o potencial da ideia e escreveu um livro maximizando as batalhas entre grupos inteiros (Exércitos da Morte). A batalha final entre o aventureiro e o Rei Lagarto pode ser facilmente finalizada se o herói possuir os itens certos.

As ilustrações do livro são excelentes e muitas delas foram aproveitadas para compilar as imagens dos monstros do excelente compêndio “Out of the Pit – Saídos do Inferno”. Alguns dos monstros de toda a série de livro somente serão encontrados nessa aventura, como o Gonchong, o Rei-Lagarto e o Leão Negro.

Uma boa aventura, com um enredo interessante e com um cenário exótico. Ian Livingstone teve a imensa felicidade de positivar o sucesso da série com mais uma fantástica aventura-solo. O que não quer dizer que ele é realmente um grande enredo, mas ele faz, pelo menos, o trabalho como uma história. Em alguns momentos, me imaginei nas histórias de Conan, o Bárbaro. Se o leitor não morrer depois de visitar o Xamã, o aventureiro pode se reunir com seus libertos para uma batalha final com as forças do Rei Lagarto, culminando em um duelo entre o herói da narrativa e Rei Lagarto e seu bichinho de estimação no topo do forte.

Um forte elemento dessa aventura a ser destacado é que, pela primeira vez em toda a série de livros, o herói se voluntaria para uma arriscada aventura rejeitando a busca por fama e ouro. A real motivação do herói é simplesmente ajudar um povo humilde e pobre, que nem possui relações de parentesco ou de clã com o aventureiro. O altruísmo do herói da história é um fator que merece ser lembrado e contrasta nitidamente com a personalidade dos antigos aventureiros-mercenários, como, por exemplo, em “O Feiticeiro da Montanha de Fogo”, onde o “herói” da história se candidata para matar o mago da montanha em busca de seu tesouro. Detalhe: Em nenhum momento da história, a gente é informado sobre que maldade o “vilão” da história realizou para merecer tamanho castigo. Observações à parte, “A Ilha do Rei Lagarto” traz mais uma aventura muito legal e ajuda a explicar porque a série Fighting Fantasy fez sucesso no mundo inteiro.

Notas e curiosidades:

  • Uma excelente versão digital deste livro desenvolvida pela Tin Man Games em 2013 está disponível para Android e iOS. É uma ótima oportunidade para ver as ilustrações interiores do livro totalmente coloridas.
  • O livro possui 10 mortes instantâneas.

Localização: Allansia, Titan
Localidades: Baía das Ostras, Ilha do Fogo.
Referências: 400.
Ilustrações: Existem 32 ilustrações de página inteira e 5 ilustrações menores que se repetem. Os parágrafos que contém as ilustrações de página inteira são: 1, 14, 30, 39, 48, 59, 71, 82, 101, 116, 128, 139, 149, 158, 168, 195, 211, 223, 235, 249, 254, 268, 279, 291, 305, 317, 325, 337, 350, 360, 379 e 390.

Encontros:

  • Boca-de-Navalha (Razorjaw)
  • Caçador (Headhunter)
  • Capitão Pirata (Pirate Captain)
  • Caranguejo Gigante (Giant Crab)
  • Chefe dos Caçadores de Cabeças (Chief Headhunter)
  • Ciclope (Cyclops)
  • Crocodilo (Crocodile)
  • Estiracossauro (Styracosaurus)
  • Goblin (Goblin)
  • Graniteiro (Grannit)
  • Guarda Orc (Orc Guard)
  • Hidra (Hydra)
  • Hobgoblin (Hobgoblin)
  • Homem-Lagarto (Lizard Man)
  • Homem-Lagarto de Duas Cabeças (Two-Headed Lizard Man)
  • Homem-Lagarto Mutante (Mutant Lizard Man)
  • Leão Negro (Black Lion)
  • Libélula Gigante (Giant Dragonfly)
  • Mulher das Cavernas (Cave Woman)
  • Ogro (Ogre)
  • Pigmeu (Pygmy)
  • Pigmeus (Pygmies)
  • Prisioneiro (Delirious Prisoner)
  • Rei Lagarto (Lizard King)
  • Sanguessugas Gigantes (Giant Leeches)
  • Sapo Cuspidor (Spit Toad)
  • Serpente da Água Gigante (Giant Water-Snake)
  • Tigre Dentes-de-Sabre (Sabre-Toothed Tiger)
  • Transmorfo (Shape Changer)
  • Troll das Colinas (Hill Troll)
  • Urso (Bear)
  • Ventosa do Pântano (Slime Sucker)
  • Vespa Gigante (Giant Wasp)

Outras criaturas:

  • Elemental da Água (Water Elemental)
  • Gonchong (Gonchong)
  • Saltador do Pântano (Marsh Hopper)

Erratas:

  • Referência 54: Onde se lê “Se for menor, vá para 260”, leia-se “Se for maior, vá para 260”.
  • Referência 134: Onde se lê “Se preferir rumar para o novamente…”, leia-se “Se preferir rumar para o oeste novamente…”.
  • Referência 220: Onde se lê “Se for menor, vá para 369”, leia-se “Se for maior, vá para 369”.
  • Referência 308: Onde se lê “Com a espada erguia alto…”, leia-se “Com a espada erguida alto…”.
  • Referência 317: A imagem que aparece com a referência 318, trata-se da referência 317.
  • Na página das referências 396 e 397, no canto superior direito está escrito 191.
  • Na página das referências 27 e 28, no canto superior direito está escrito 33.

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Review por: Thiago Macieira

Entrevista Ian Livingstone – The Noite (Danilo Gentili)

Danilo Gentili recebeu na terça-feira, 22 de dezembro de 2015, Ian Livingstone, criador da série de livros Fighting Fantasy juntamente com Steve Jackson. Confira abaixo como foi esse encontro:

É The Noite e estamos no ar \o/ Com o criador do Fighint Fantasy , Ian Livingstone \o/

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12. Retorno à Montanha de Fogo

Retorno à Montanha de Fogo

Retorno à Montanha de Fogo

Título original em Inglês:
Return to Firetop Mountain

Título em Português (PT):
Regresso à Montanha de Fogo

Numeração original:# 50

Autor:
Ian Livingstone

Lançamento:
Setembro de 2013

Ilustrações:
Martin McKenna

Ilustração da capa por:
Daniel HDR e Ricardo Riamonde

Tradução para Português-BR:
Gustavo Brauner

Dez anos depois, Zagor vive!

O reinado diabólico do maligno feiticeiro Zagor foi encerrado dez anos atrás por um heroico aventureiro que enfrentou os incontáveis perigos da Montanha de Fogo. Mas, pelo poder da magia negra, o enlouquecido mago retornou dos mortos e pretende vingar-se de Allansia. Agora, VOCÊ deve entrar no assustador labirinto e derrotar mais uma vez o Feiticeiro da Montanha de Fogo.

Finalmente! Um retorno à Montanha de Fogo…

Há 10 anos atrás, o reinado do Feiticeiro Zagor foi despachado por um valente aventureiro que desbaratou as câmaras escuras e o labirinto sinuoso no interior da Montanha do Cume de Fogo. No entanto, o mal não pode ser tão facilmente derrotado e agora, uma década depois, o temível bruxo voltou à vida para lançar sua despudorada vingança contra toda Allansia.

Nesta incrível aventura, o leitor toma o papel de um guerreiro (que lástima, não é o mesmo aventureiro da primeira aventura…) que viajou por todo o continente e que o destino levou até o vilarejo de Anvil, no norte de Allansia. Uma vez no lugar, o personagem descobre que muitos aldeões desapareceram e provavelmente foram mortos. Rumores informam que o Feiticeiro da Montanha de Fogo, Oldoran Zagor, retornou à vida através de magia negra. O mago possuía um feitiço protetor que o ressuscitaria, caso seu corpo fosse destruído. Pior, Zagor está sequestrando e matando várias pessoas a fim de construir um novo corpo para si. A vegetação do topo da Montanha, outrora avermelhada, agora se encontra negra e uma atmosfera pesada paira sobre a pequena aldeia. Após aceitar a missão ofertada pelos aldeões de matar o feiticeiro definitivamente, o leitor deve primeiro encontrar Yaztromo, que possui informações vitais sobre o inimigo. É claro, no caminho, os servos do feiticeiro tentarão abreviar a jornada do herói.

O grande mago Yaztromo encontra-se na cidade de Kaad, ajudando os pobres moradores a enfrentar uma peste enviada pelo bruxo que se abateu sobre o lugar. Após escapar de um agente enviado por Zagor para matar o aventureiro (acredite, essa luta pode ser eterna!), o leitor consegue alcançar Yaztromo, que o ajuda com as informações necessárias.

Finalmente, o grande momento chega e o destino leva o aventureiro até a entrada da Montanha, preparado com sua espada e seu escudo para lutar contra os perigos da masmorra. Nessa primeira parte da Montanha, o leitor que jogou a primeira aventura, se lembrará de algumas passagens e aposentos. Uma série de “easter eggs” deixadas pelo escritor nos lembram daquela emocionante jornada. A masmorra está com novos monstros e armadilhas, mas diversos vestígios do passado ainda se encontram no lugar. Entre as nostálgicas referências, podemos citar o empoeirado “Portador do Sono”, o agora esqueleto do guarda goblin (a primeira criatura enfrentada em “O Feiticeiro da Montanha de Fogo), o assento em forma de toco de árvore com o letreiro “Sente-se aqui, fatigado viajante”, a armadilha das alavancas, o barqueiro licantropo etc. Não esqueça que dessa vez há um comércio organizado dentro da Montanha e até uma moeda própria de Zagor é utilizada.

Ao atravessar o rio, o herói entrará num labirinto totalmente redesenhado, que nada lembra àquele de outrora, elaborado por Steve Jackson onde o objetivo principal era fazer o aventureiro andar em círculos pelos corredores. Nesse novo labirinto, monstros mortais e armadilhas maquiavélicas foram construídas para dar um fim abrupto no herói sem rodeios. Os desafios estão muito mais difíceis e a cada esquina novos perigos esgotam os suprimentos vitais do personagem, bem como sua própria energia.

A sorte e o acaso levarão o personagem aventureiro até as câmaras interiores da Montanha, onde está localizado o próprio Feiticeiro. Nesse confronto final, longe de ser aquele mago recluso e fácil de ser derrotado da primeira aventura, agora Zagor é um morto-vivo. Está mais imponente e assustador que há uma década atrás. Seu corpo está sendo reconstruído com os pedaços dos corpos dos moradores de Anvil. Apenas seu braço está faltando e ele olha para o seu com muita cobiça… Zagor agora é muito mais perigoso, pois é um ser que não sente medo ou dor. Além disso, sua magia está mais forte que há dez anos atrás. Nenhuma jóia ou baralho de cartas diminuirá o poder de seus feitiços. Ele não tem necessidade de se transformar num velho para enganar o herói. O feiticeiro não tem espaços dessa vez para fazer negociatas com seus inquisidores!

No entanto, como todo grande vilão, Zagor possui uma fraqueza. E elas estão espalhadas pelo labirinto. Esses objetos são dentes feitos de vários materiais e que contém um poderoso contrafeitiço vital para derrotar a magia do bruxo. Sem esses objetos, a luta já estará condenada a favor do inimigo. Mas, mesmo de posse desses objetos, a vitória não é garantida e a sorte e uma boa dose de vigor ainda será muito necessária para conquistar a vitória. Além disso, o final parece sugerir que o feiticeiro estará de volta em mais uma sequência.

O “Retorno à Montanha de Fogo” está bem mais difícil que a primeira jornada. O enredo está bem mais elaborado também, dando ao leitor um motivo justo para enfrentar os perigos da Montanha e destruir o feiticeiro demoníaco. Muitos itens são necessários para conseguir escapar dos perigos do labirinto e os inimigos possuem habilidade e energia altas o suficiente para tornar a saga praticamente impossível de se finalizar. A aventura continua sendo linear, bem ao estilo Livingstone de se escrever e as ilustrações de McKenna também estão muito mais realistas. Ian Livingstone nos entrega um livro muito bem escrito. Mesmo sem a parceria de Steve Jackson, o livro é bastante satisfatório. Uma aventura completa, feita para os fãs. Não é apenas mais uma masmorra de RPG. É a primeira masmorra, remodelada, mas que nos iniciou num mundo fantástico que com muito prazer continua a tomar nossas horas do dia instigando nossa imaginação e sacia mais uma vez o nosso apetite por aventuras em Allansia justamente num dos lugares mais icônicos e nostálgicos do mundo de Titan.

Revisitar a montanha de Fogo será sempre um prazer e encarar velhos inimigos não tem preço.

Notas e curiosidades:

  • Ian Livingstone faz uma aparição como o inquisidor (referência 262) que tinha frequentado a Escola de Magia Negra de Volgera Darkstorm e estudou com o necromante Hellmoon antes de servir Zagor e guardar o caminho para o santuário interno da Montanha de Fogo.
  • Da série original, este foi o 50º livro e foi escrito para fechar a série com chave de ouro. Porém o sucesso foi inesperado e as ótimas vendas deram um novo fôlego à coleção, que ganhou mais nove livros.
  • Zagor, fará uma terceira aparição e será o antagonista do livro “Legend of Zagor”, o 54º livro da série original inglesa, também escrito por Ian Livingstone.
  • Livingstone dedicou o livro à tripulação que foi patrocinada pela Games Workshop que venceu o “Daily Telegraph Ultra 30 Grand Prix UK Championship” em 1990 e 1991.
  • Em uma determinada parte do livro, você estará em uma biblioteca e, dos livros que estão nas prateleiras, cinco são nomeados, sendo que dois destes são livros escritos pelo próprio Ian Livingstone: Urna das Almas (Casket of Souls) e Olho do Dragão (Eye of the Dragon).
  • Na referência 209, os potes parecem ter sido misturados.
  • Nesse livro, o aventureiro inicia sua jornada sem nenhuma provisão.

Localização: Allansia, Titan
Localidades: Anvil, aldeia de Bigorna, aldeia Ponte de Pedra, floresta Madeira Negra, planícies pagãs, Kaad, taverna Duas Luas, rio vermelho, torre de Yaztromo e Montanha de Fogo.
Referências: 400.
Ilustrações: Existem 30 ilustrações de página inteira e 5 ilustrações menores que se repetem. Os parágrafos que contém as ilustrações de página inteira são: 1, 14, 28, 42, 60, 72, 87, 102, 118, 131, 144, 158, 169, 182, 194, 210, 222, 238, 249, 262, 277, 283, 291, 305, 318, 335, 347, 360, 371 e 398.

Encontros:

  • Águia Gigante (Giant Eagle)
  • Anão (Dwarf)
  • Bárbaro (Barbarian)
  • Cabeça da Morte (Death Head)
  • Corcunda (Hunchback)
  • Doppelganger (Doppelganger)
  • Esqueletos (Skeletons)
  • Fera de Lodo do Caos (Chaos Slime Beast)
  • Fera Humana do Caos (Chaos Beast Man)
  • Fera-Cão Mutante (Mutant Dog Beast)
  • Goblins (Goblins)
  • Górgona (Gorgon)
  • Guerreiro do Caos (Chaos Warrior)
  • Guerreiro do Caos Morto-Vivo (Undead Chaos Warrior)
  • Guerreiros Esqueleto (Skeleton Warriors)
  • Harpia (Harpy)
  • Hobgoblin (Hobgoblin)
  • Homem-Rato (Wererat)
  • Homens-Lagarto (Lizard Men)
  • Metallix (Metallix)
  • Morcego Vampiro (Vampire Bat)
  • Ogro (Ogre)
  • Peixes-Navalha (Razorfish)
  • Perseguidor (Tracker)
  • Portador de Praga (Plague Bearer)
  • Senhor das Feras Mutante (Mutant Beast Lord)
  • Sentinela de Diamante (Diamond Sentinel)
  • Troglodita (Troglodyte)
  • Troll das Cavernas (Cave Troll)
  • Vampiro (Vampire)
  • Zagor (Zagor)

Erratas:

  • No livro (Jambô), consta que as ilustrações internas são feitas por Brian Williams, quando na verdade, são feitas por Martin McKenna.
  • Referência 77: onde se lê “vá para 285”, leia-se “vá para 258”.
  • Referências 216 e 364: onde se lê “Vá para 147”, leia-se “Vá para 247”.
  • A ilustração da referência 371 está cortada, ficando o leitor impossibilitado de contar quantas moedas de ouro há no aposento onde ele se encontra e resolver o enigma do Controlador de Mentes. Em todo o caso, a resposta correta é 52.*

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Review por: Thiago Macieira

* Agradecimentos ao Jhonata Almeida

11. Exércitos da Morte

Exércitos da Morte

Exércitos da Morte

Título original em Inglês:
Armies of Death

Título em Português (PT):
Exércitos da Morte

Numeração original:# 36

Autor:
Ian Livingstone

Lançamento:
Abril de 2013

Ilustrações:
Nik Williams

Ilustração da capa por:
Lobo Borges

Tradução para Português-BR:
Gustavo Brauner

Agglax, o demônio das sombras, está reunindo um exército de guerreiros mortos-vivos para conquistar Allansia. Suas forças crescem diariamente, e o tempo para reunir poderes especiais para destruí-lo está acabando. Apenas um herói corajoso pode deter o demônio das sombras antes que ele se torne todo-poderoso — um herói como VOCÊ!

Quando o mundo mais uma vez aparentava estar em paz, mesmo que temporária, uma nova ameaça surge no horizonte. Agglax, um Demônio das Sombras, foi trazido para este mundo, e junto com ele, sua sede de destruição a todas as criaturas civilizadas de Allansia. Para isso, ele está formando um exército de criaturas do Mal e do Caos, além de mortos-vivos sanguinários, nas profundezas da Floresta dos Demônios. É apenas uma questão de tempo antes que o maligno exército saia de seu esconderijo e inicie o ataque. Para que isso não ocorra, alguém deve pará-lo, mas sozinho será impossível, portanto somente um exército capacitado e disciplinado poderia por fim a este terrível mal. Mas quem se atreverá a desafiar um exército tão destrutivo comandado por um general praticamente imortal? O protagonista desta história é o mesmo herói que há menos de um ano venceu pela segunda vez a famosa Prova dos Campeões, sobrevivendo para poder contar história, calando a boca e o orgulho do Barão Sukumvit, senhor da cidade de Fang e arquiteto do labirinto, de uma vez por todas. O herói está aproveitando a fama repentina em Fang e ganhou uma grande reputação, sendo questionado constantemente nas tavernas da cidade sobre suas aventuras no interior no labirinto mortal. No entanto, como bem demonstrado no parágrafo de conclusão do livro “Desafio dos Campeões”, o herói rapidamente se cansa do conforto e deseja partir imediatamente para uma nova aventura. Ao saber da situação que se configura a leste, e com a ameaça que poderá destruir toda Fang, o herói decide usar o prêmio do Calabouço da Morte de 20.000 Moedas de Ouro para proteger a cidade. Manda que se construa um castelo ao sul do Rio Kok, para proteger Fang em caso de invasão e com o restante do dinheiro, sabendo que lutar sozinho contra as forças de Agglax seria suicídio, o herói decide contratar um exército. Ainda em Fang, o herói consegue angariar um total de duzentos soldados, entre homens, anões e elfos e a partir dali, ele viaja até a Floresta de Fang em busca de mais homens para o combate mortal. Mesmo sabendo que a luta estará em grande desvantagem, o herói tem consciência que se nada for feito, Allansia será completamente destruída.

“Exércitos da Morte” providencia à série uma grande contribuição. Pela primeira vez, o protagonista poderá ter ao seu comando um exército que o ajudará a combater os monstros. Essa experiência já foi usada no livro “A Ilha do Rei Lagarto”, mas em uma escala muito menor e também no livro “Mares de Sangue” onde o protagonista é o capitão de um navio pirata. Desta vez, o herói terá a responsabilidade não apenas de manter o exército vivo até o último combate, mas também deverá convocar novos reforços para lutar contra Agglax. O personagem principal deverá buscar esses novos soldados na vila tribal de Karn ou durante a viagem até a Floresta e principalmente na cidade de Zengis, o maior reduto de homens capazes de lutar ao lado do herói e que se arriscariam para defender sua cidade. A cidade de Zengis ocupará uma boa parte da história do livro e o herói estará sozinho nela, portanto é também um dos momentos mais perigosos da história, pois Zengis é uma cidade pacífica, mas muito perigosa à noite. No entanto, além de gastar tempo procurando reforços, o herói terá uma outra grande preocupação: Agglax, o general do exército maligno, é um Demônio das Sombras, portanto um ser invulnerável às armas terrestres. Somente um artefato de incrível poder pode derrotá-lo, e ele se encontra nas misteriosas Cavernas das Pedras das Estrelas, ao sul da Floresta dos Demônios. O herói deverá seguir sozinho pelas cavernas para encontrar o artefato. Diz-se que somente os loucos entram no lugar, pois ele é guardado por um oráculo, no centro de um labirinto repleto de armadilhas e onde ninguém conseguiu retornar até hoje (familiar, não?). Para quem não conhece o estilo de escrita de Ian Livingstone, o leitor deve encontrar vários itens ao longo da jornada e principalmente um artefato que é a única fraqueza de Agglax. Se o herói não conseguir encontrar a pista para este objeto de vital importância, então nem precisa mais continuar a aventura. Pode retornar ao parágrafo 1, porque a história acabou, e em fracasso. Se o leitor entrar em um caminho errado, a aventura também estará terminada (típico de um livro de Ian Livingstone). Após encontrar o oráculo e conseguir passar em seu estranho teste de perguntas, o herói encontra uma pista para a localização do artefato que pode destruir Agglax e consegue sair das cavernas, para em seguida, infiltrar-se na outrora pacífica Floresta dos Demônios, onde o Demônio das Sombras o aguarda. Na Floresta dos Demônios, o herói encontra os vestígios da destruição provocada pelo Exército da Morte e já começam os primeiros combates diretos contra os soldados de Agglax. Enfim a aventura chega ao seu ápice com a grande batalha do Bem contra o Mal. Há vários momentos interessantes, como a guerra de catapultas e o ataque de flechas. As decisões do leitor, como um verdadeiro general, além de contar um pouco com a sorte, serão fundamentais para quebrar as defesas do exército inimigo e lutar face-a-face contra o maligno Agglax.

Embora este livro seja uma continuação direta de “Desafio dos Campeões” não é necessariamente uma história com uma ligação direta com a anterior. A proposta é realmente muito boa, e a quantidade de combates individuais presentes na história não deixa a desejar para nenhum outro livro anterior. Como o cenário favorito de Ian é a parte norte de Allansia, este livro se situa justamente naquela área e um pouco além. Através dele temos a oportunidade única de conhecermos a cidade de Zengis e também de comandarmos um exército. É uma grande pena que a conclusão da história não é das melhores, pois o herói consegue derrotar o mal, acaba com seu dinheiro, e aí? Será que vai haver algum reconhecimento? Será que as cidades civilizadas de Allansia, que não moveram um dedo para ajudar o herói vão reconhecer o feito deste general aspirante? Com certeza não. Mas esse é o preço que se paga por querer ser um aventureiro disposto a libertar (mais uma vez) Allansia do mal. Um ótimo livro-jogo, e para quem já conhece o estilo de Ian, até que ele não é tão difícil, se souber o que fazer. O livro também utiliza um pouco o recurso do humor em algumas partes, como na competição de comer tortas ou nas perguntas feitas pelo oráculo, o que tira um pouco a seriedade do livro, mas compensa por aliviar um pouco a tensão da aproximação da Grande Batalha. Outro ponto negativo é que o exército comandado pelo leitor não será tão usado como realmente deveria ser. Mais da metade da aventura se passa com o aventureiro combatendo os perigos sozinho, como os livros-jogos anteriores. No entanto o combate de massas criado pelo autor, embora não seja muito criativo, é muito simples e funciona muito bem na história e quanto mais soldados o leitor tiver sob a sua bandeira, mas fácil os combates se tornarão. A maior dificuldade contudo, será localizar o lugar onde o artefato capaz de destruir Agglax está escondido e a principal pista somente será fornecida pelo oráculo, portanto é de vital importância o encontro com o mesmo. Se o herói conseguir encontrar o artefato, então a aventura estará praticamente ganha, isto é, se vencer primeiro o Exército da Morte em combate. Uma boa aquisição para a série, “Exércitos da Morte” é um livro que se assemelha a um épico, com viagens na terra, em rios, masmorras, florestas e cidades. Para quem tem saudades das aventuras urbanas como “A Cidade dos Ladrões”, poderá matar um pouco a saudade com este livro, percorrendo as ruas misteriosas de Zengis.

Notas e curiosidades:

  • A primeira edição de “Exércitos da Morte” trouxe na contracapa um aviso informando o recorde da série de “mais de 10 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro”
  • Ian Livingstone faz uma participação especial como o dono da pousada “Casa de Helen” (que é uma das pessoas a quem o livro foi dedicado, juntamente com Andrew e Sarah) em Zengis, representando o papel de Obigee, tendo a sua ilustração apresentada na referência (368) de “Exércitos da Morte”
  • Todos os livros de Ian Livingstone foram escritos tendo como cenário a parte centro-norte de Allansia, exceto “O Guerreiro das Estradas” ambientado na Terra em um futuro próximo, e “Legend of Zagor” ambientado no mundo de Amarillia
  • A resposta da pergunta feita pelos Cavaleiros Brancos na referência (248) não possui resposta no livro e somente quem leu o livro “Titan – O Mundo de Aventuras Fantásticas” saberia responder essa pergunta
  • Embora no prefácio o exército de Agglax seja descrito como composto praticamente por inteiro de mortos-vivos, durante a batalha final, o exército do herói defronta-se somente com quatro zumbis.
  • O jogador começa a aventura sem nenhuma provisão.
  • O livro não faz referência a qualquer equipamento carregado no início da aventura.

Localização: Allansia, Titan.
Localidades: Cidade de Fang, Rio Kok, Vila de Karn, Cidade de Zengis, Aldeia da Garra, Cavernas das Pedras das Estrelas, Floresta dos Demônios.
Referências: 400.
Ilustrações: Existem 34 ilustrações de página inteira e 6 ilustrações menores que se repetem. Os parágrafos que contém as ilustrações de página inteira são: 6, 17, 28, 39, 52, 63, 76, 87, 100, 112, 121, 134, 143, 155, 166, 178, 188, 199, 209, 217, 230, 241, 252, 265, 278, 292, 307, 323, 338, 352, 368, 381, 394 e 400.

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Review por: Thiago Macieira

10. Desafio dos Campeões

Desafio dos Campeões

Desafio dos Campeões

Título original em Inglês:
Trial of Champions

Título em Português (PT):
O Desafio dos Campeões

Numeração original:# 21

Autor:
Ian Livingstone

Lançamento:
Setembro de 2012

Ilustrações:
Brian Williams

Ilustração da capa por:
Lobo Borges e Thiago Ribeiro

Tradução para Português-BR:
Gustavo Brauner

Quando seu barco é atacado e destruído por uma sinistra galé, você não tem escolha a não ser subir a bordo. Frente a uma tripulação de assassinos endurecidos e seu maligno capitão, seria inútil resistir…

Desde aquele dia você está acorrentado a um banco — como em qualquer galé de escravos — remando até desmaiar rumo a um destino desconhecido. Então, vocês finalmente chegam à terra, e você é levado do navio rumo à brilhante luz do sol. Vocês aportaram na Ilha Sangue, e agora são escravos de Lorde Carnuss, o maligno irmão do Barão Sukumvit, criador da Masmorra da Morte! A mente deturpada de Sukumvit reprojetou o mortal labirinto de Fang por completo. Novas armadilhas, quebra-cabeças e monstros esperam em cada canto. Mas, antes que você possa entrar na masmorra, precisa enfrentar os sangrentos jogos de arena de Lorde Carnuss, seu novo mestre. Será que você conseguirá sobreviver ao Desafio dos Campeões e libertar-se da escravidão?

Nesta eletrizante aventura, o leitor protagonizará um desafortunado viajante que pretendia navegar para o sul em direção a baía das Ostras, saindo de Porto Areia Negra, mas infelizmente sua embarcação foi interceptada pelo navio pirata do famoso capitão Bartella. Nada impede que o protagonista dessa aventura não seja o vencedor da aventura “A Masmorra da Morte” e que por intriga do destino foi obrigado à força a retornar ao temível Labirinto de Fang. Desde então, como único sobrevivente, o personagem foi obrigado a trabalhar como escravo junto a outros desafortunados na galé inimiga, ou morrer. Após vários dias penosos e sacrificantes, o navio pirata aporta na misteriosa Ilha de Sangue, propriedade de Lorde Carnuss, irmão do barão Sukumvit, que fora expulso da cidade de Fang há anos atrás. Todos os escravos são vendidos para o senhor da ilha e levados para as masmorras do castelo de Lorde Carnuss, dividindo a cela com outros prisioneiros. No dia seguinte é anunciado que os prisioneiros passarão por duros e cruéis testes na Arena da Morte. O esquema envolve testar ao máximo a resistência física, psicológica e explorar ao máximo as habilidades dos escravos para que somente os mais capacitados sobrevivam. Os testes são selecionados entre etapas, onde em cada um deles, os mais fracos são deixados para trás (ou seja, mortos) e os mais fortes passam para o teste seguinte. As provas são desde corrida em carvão em brasa segurando quilos de pedras nas costas, até lutas contra monstros de arena e entre gladiadores. O objetivo do torneio de escravos é que somente um único sobreviva a todos os testes. O sobrevivente será o representante de Lorde Carnuss para competir no famoso Desafio dos Campeões em Fang, a conhecida Masmorra da Morte.

Embora a reputação do barão Sukumvit tenha sofrido uma severa baixa quando um competidor conseguiu atravessar o labirinto no ano passado, o arrogante senhor de Fang decidiu criar um novo labirinto, redesenhado-o a ponto de torná-lo mortal além da imaginação. Novos monstros, novos perigos e novas armadilhas esperam os competidores, bem como uma açucarada recompensa de 20.000 moedas de ouro – talvez o maior prêmio em dinheiro que se tem notícia em toda Allansia. Há anos atrás Carnuss tentou conspirar contra seu irmão, Sukumvit, mas falhou e foi punido por conta disso com a expulsão permanente de Fang e o exílio na Ilha de Sangue. Para se vingar de seu odiado irmão, Carnuss decidiu criar as provas de gladiadores, comprando escravos capturados por piratas e mercenários e testando-os nas sangrentas lutas até encontrar alguém forte o suficiente para representá-lo como competidor no labirinto e vencê-lo, para assim humilhar o barão Sukumvit em seu próprio orgulho. Claro que o prêmio da Masmorra será de Carnuss, mas pelo menos a vida do escravo será poupada (grande recompensa, não?). Caso consiga sobreviver ao treinamento na Ilha de Sangue, o herói será levado até Fang para o novo Desafio dos Campeões. A Masmorra está pronta para receber seus novos candidatos, um anão, um guerreiro elfo, um campeão do caos com armadura completa e um senhor da guerra oriental (provavelmente vindo da distante Hachiman em Khul). Como não há alternativa a ser escolhida, o herói deve entrar no labirinto mortal munido apenas de uma espada…

O Labirinto de Fang está um pouco mais fácil e menor nessa edição. Não há caminhos tão tortuosos e há menos chances de morrer por fazer uma escolha errada. Embora o número de itens primordiais para se encontrar tenha aumentado, a localização deles não é tão difícil de encontrar salvo um ou dois itens. Infelizmente, como o calabouço anterior, só há um caminho correto pelo intrincado labirinto e encontrá-lo levará várias tentativas, bem como localizar todos os itens necessários para o sucesso da missão. Não somente os artefatos essenciais, mas também uma série de itens mágicos ou não-mágicos importantíssimos para se livrar de armadilhas mortais e enfrentar certos tipos de monstros. Se em determinada parte da aventura, o herói não possuir o item correto, será decretado o fim da história. As ilustrações do livro, embora sejam muito boas, estão longe do apresentar o clima de suspense, pânico e claustrofobia da primeira masmorra da morte. Os juízes de prova, embora ainda sejam bem criativos, não conseguem transmitir aquele ódio que guardamos contra o juiz de provas Anão da antiga masmorra. No entanto seus testes estão muito mais perigosos.

Outra boa observação é a quantidade de monstros novos que são apresentados, como o Demônio de Ossos, o Andarilho (um ser magro e esquelético, mas muito habilidoso com a lança), o Esmaga-Ossos, a rainha Lich e o temível Garra Fria, um dos mais fortes e originais oponentes do livro. É incrível a imaginação de Ian Livingstone para criar monstros tão letais e criativos como o Garra Fria. Diferente também dos competidores passados, os rivais aqui também são muito hostis, principalmente o Campeão do Caos e o Senhor da Guerra Oriental, bem como mais fortes, portanto cuidado. Desafio dos Campeões é um excelente livro-jogo, mas ainda perde muito se comparado ao primeiro Masmorra da morte. Claro que a inserção da Arena da Morte, da Ilha de Sangue e também do maligno irmão do barão Sukumvit são apostas muito boas que ajudaram a enriquecer o jogo de forma que o transforma não apenas em uma simples exploração de masmorra (o que não deixa de ser), mas também em uma atraente história de vingança contra o vilão que fez o herói sofrer desde a seção histórico até a penúltima referência do livro. Embora a Masmorra da Morte tenha ficado menor, não necessariamente ela ficou mais fácil. Há salas que a simples entrada do aventureiro no aposento representará o fim do jogo. Uma pequena crítica a ser feita é que o autor não dá muitas chances ao aventureiro, pois um corredor errado significa morte certa, já que só há um caminho correto. E o pior é que muitos desses caminhos errados possuem encontros interessantes e até mesmo armadilhas bem elaboradas, bem como itens interessantes, mas devem ser deixados de lado, pois não acarretará de maneira alguma no sucesso da missão. Um excelente livro jogo onde o protagonista da aventura sofre do início ao fim, mas que também serve de prefácio para uma aventura muito bem elaborada: Exércitos da Morte.

Notas e curiosidades:

  • Desafio dos Campeões é a segunda parte de uma série de três livros-jogos que envolvem a cidade de Fang e o mortífero labirinto de Sukumvit. O terceiro é Exércitos da Morte.
  • Por ser um escravo, o aventureiro começará a aventura sem nenhum tipo de equipamento, exceto a própria roupa do corpo.
  • A recompensa exata da prova dos campeões consiste em 20.000 moedas de ouro e qualquer desejo pedido ao barão Sukumvit, que como homem de honra, não o negará em atendê-lo.
  • Ao escrever este livro, Ian Livingstone o dedicou ao seu grande amigo, Steve Jackson.
  • Esse livro republicado pela editora Wizard em 22 de maio de 2003 com capa de Martin McKenna, cuja ilustração foi sugerida através de carta pelo próprio Ian Livingstone, onde mostra um dos inimigos do labirinto, o rei Esqueleto e sua montaria no corredor da masmorra.

Localização: Allansia, Titan.
Localidades: Ilha de Sangue, Fang.
Referências: 400.

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Review por: Thiago Macieira