01. O Feiticeiro da Montanha de Fogo

O Feiticeiro da Montanha de Fogo

O Feiticeiro da Montanha de Fogo

Título original em Inglês:
The Warlock of Firetop Mountain

Título em Português (PT):
O Feiticeiro da Montanha de Fogo

Numeração original: # 1

Autores:
Steve Jackson e Ian Livingstone

Lançamento:
08 de Maio de 2009 e relançamento em Abril de 2016

Ilustrações:
Russ Nicholson

Ilustração da capa:
Patricia Knevitz (arte) e Ricardo Riamonde (cores)

Tradução para Português-BR:
Gustavo Brauner e Leonel Caldela (revisão)

Nas cavernas da Montanha de Fogo há um grande tesouro, guardado por um poderoso e maligno Feiticeiro. Ou, pelo menos, é o que dizem os rumores. Muitos aventureiros como você já entraram nas cavernas para recuperá-lo; nenhum jamais retornou.

O tesouro está nas profundezas de uma masmorra que você deve explorar, habitada por uma multidão de monstros subterrâneos que você deve enfrentar e matar – ou morrer tentando. Você ousa tentar?

Nesta aventura, que originalmente marcou o início da série “Aventuras Fantásticas” e foi o primeiro livro escrito pela dupla Jackson / Livingstone, narra a história de um aventureiro e a saga para encontrar o tesouro de um poderoso feiticeiro, escondido nas profundezas da Montanha de Fogo, situada ao norte da Floresta de Darkwood. Através de boatos dos moradores da vila de Anvil, o protagonista descobre que o tesouro está guardado em uma arca com duas fechaduras que a mantém trancada (no entanto, durante a aventura descobre-se que na verdade são três fechaduras). As chaves estão guardadas com várias criaturas dentro das masmorras. O aventureiro deverá explorar as masmorras em busca das três chaves corretas, embora haja várias chaves falsas durante o caminho. O tesouro é guardado por um feiticeiro maléfico chamado Zagor. Pouco se sabe dele: às vezes aparenta ser um velho encarquilhado e outras vezes um jovem vigoroso. Seu poder provém, dizem alguns, de seu baralho encantado e, dizem outros, de sua luva de seda negra. Oldoran Zagor é o antagonista, conhecido nesta aventura simplesmente como “O Feiticeiro”. Junto com Balthus Dire e Zarradhan Marr, foi aprendiz do maléfico mago Volgera Darkstorm. Na idade de dezessete anos, após a morte de seu mestre, assassinado por seus três aprendizes (acredita-se que Zagor não participou deste evento, embora não tenha feito nada para impedi-lo), ele viajou para o sul até encontrar a Montanha do Cume de Fogo, que sempre esteve em seus sonhos demoníacos, e a tomou como seu domínio, eliminando os anões que lá viviam com o uso de um pequeno contingente de Orcs e mortos-vivos e tomando para si seus tesouros. Desde então ele tem estudado e praticado em segredo seus conhecimentos de magia negra e necromancia. Muitos outros aventureiros tentaram entrar na montanha na esperança de encontrar o famoso tesouro dos anões, mas poucos retornaram – milagrosamente com vida.

Capa da segunda edição

Capa da segunda edição

Estas informações, na verdade, não se encontram no livro original. Podemos dizer inclusive que o protagonista é um anti-herói, já que o Feiticeiro nunca se manifestou de forma maligna ou suspeita e nunca tentou dominar o mundo. Na verdade nem mesmo a famigerada vila de Anvil, onde tem início à história, parece ter sido ameaçada alguma vez por ele. O herói não possui nenhuma motivação justa para adentrar na aventura, exceto seu desejo em “roubar” o tesouro do Bruxo (mas com certeza ele descobre mais tarde que o Feiticeiro é muito mal, pois alguém que tortura viajantes e vive rodeado de mortos-vivos e criaturas maléficas não deve ser uma pessoa muito sociável!). O aventureiro entrará na montanha munido apenas de sua espada e suas poucas informações a respeito da masmorra. É um livro muito agradável de se ler, com vários pontos positivos – como o arco e a flecha de prata com a inscrição “O Portador do Sono para aqueles que nunca conseguem” e o encontro com o Ciclope. Os únicos itens essenciais que o aventureiro precisará encontrar são as três chaves da arca de tesouro, mas há muitos outros itens que facilitarão suas batalhas com as criaturas malévolas da montanha, principalmente com o Dragão e com o próprio Feiticeiro.

Ian Livingstone escreveu a primeira parte da aventura e se baseou em um cenário de masmorra. A entrada é guardada por um bando de Goblins e Orcs estúpidos e relaxados, liderados por um cruel capitão. Após passar por várias portas, portões levadiços, cavernas, salões e corredores, o aventureiro chegará até o barqueiro que cobra pela travessia (os autores se inspiraram na lenda de Caronte, o barqueiro que, por duas moedas de ouro, levava as almas dos mortos para o reino do deus Hades). Depois do rio as criaturas se tornam muito mais assustadoras e difíceis, com vários mortos-vivos e metamorfos. A segunda parte do livro, que compreende o Labirinto e a batalha final com o Feiticeiro, foi escrito por Steve Jackson. É notável o toque de amadorismo dos autores em várias sessões do livro, como exemplo disso é um Minotauro no meio do labirinto (familiar, não?) e a luta final, onde um simples objeto pode pôr fim à batalha, sem cerimônias. Um dos pontos mais difíceis do jogo com certeza é o Labirinto, onde a saída é encontrada na sorte. Por isso é importantíssimo desenvolver um mapa e anotar as referências por quais já passou. O ponto mais emocionante do jogo, mas que poderia ser mais bem explorado, com certeza é a batalha com o Feiticeiro. Se o leitor utilizar um único item certo, a batalha encerra-se. Também pode utilizar itens da sala ou aqueles encontrados na aventura para enfraquecê-lo. No entanto, se o protagonista não fizer nada, então a luta contra ele será mortífera, pois Zagor é um forte adversário, com índices elevados de Habilidade e Energia. Mas e se vencê-lo? A aventura acaba? Claro que não. Há ainda a arca de Zagor, trancada por três fechaduras e protegida por uma mortal armadilha. A inserção de uma chave errada pode ser fatal e se o leitor não tiver encontrado as chaves, então a decepção será enorme, pois o jogo terá terminado. É um livro muito legal, com diversos encontros e situações que poderiam ser explorados com maior qualidade, principalmente a batalha final, pois poderia mostrar melhor o poder do Feiticeiro, mas que, no entanto, não compromete o resultado positivo da aventura. Era apenas o começo triunfal de uma longa série de histórias que se superariam a cada livro em termos de criatividade e qualidade.

Notas e curiosidades:

  • Este livro é um dos que tem o menor índice de mortes instantâneas (aquelas que na maioria das vezes aparece com “sua aventura termina aqui”). Somente três mortes, não contando as mortes por esgotamento de Energia ou por azar ao testar a sorte e àquelas providas da não inserção das chaves corretas no baú.
  • O primeiro esboço do livro recebeu o título de “A Busca Mágica” e foi o primeiro e único livro da série que foi escrito por ambos os autores criadores da série, Steve Jackson e Ian Livingstone.
  • “O Feiticeiro da Montanha de Fogo” vendeu cerca de dois milhões de exemplares, se tornou um best-seller e já foi traduzido em quinze idiomas.
  • Zagor retornaria como o antagonista principal em mais duas sequências: “Retorno à Montanha de Fogo” e “A Lenda de Zagor”. Zagor também aparece no romance de Steve Jackson “As Guerras de Trolltooth”.
  • O livro também teve publicado duas capas, ambas por Peter Andrew Jones. A segunda capa é pouco conhecida e foi criada na 4º edição. A capa desta edição foi totalmente criada no Brasil.
  • Apesar de Anvil não ser citada como sendo a vila de origem da aventura, admite-se que só poderia ser ela, pois, a vila fica a dois dias de viagem da montanha e não há nenhuma outra vila próxima. No livro “Retorno à Montanha de Fogo”, a vila que começa a aventura e está a dois dias de viagem da montanha é Anvil. A versão do livro em sistema D20 (Dungeons & Dragons), lançada originalmente pela editora Myriador, identificou erroneamente a vila como Gilford, mas tal cidade não existe em Allansia e nunca foi sequer citada em nenhuma história.
  • O livro foi republicado em 3 e junho de 2002 pela editora britânica Wizard, com a capa ilustrada por Martin McKenna.
  • Esta edição marca o retorno desta série de livros ao Brasil que, anteriormente eram publicados pela editora Marques Saraiva, estando agora sob responsabilidade da Jambô Editora.

Localização: Norte de Allansia, Titan.
Localidades: Anvil, Montanha do Cume de Fogo.
Referências: 400

Erratas:

  • Referência 249, parágrafo 4, linha 4: onde se lê “Se desejar ficar, vá para 204”, leia-se “Se desejar ficar, vá para 304”.


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Review por: Thiago Macieira

Caça Palavras – A Cidade dos Ladrões

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13. A Cripta do Vampiro

A Cripta do Vampiro

A Cripta do Vampiro

Título original em Inglês:
Vault of the Vampire

Título em Português (PT):
A Maldição do Vampiro

Numeração original:
# 38

Autor:
Keith Martin

Lançamento (edição original):
13 de Março de 1989

Ilustrações:
Martin McKenna

Ilustração da capa por:
Les Edwards

Tradução para Português-BR:
Lilia Leal de Oliveira

Conseguirá você acabar com o maligno reinado de terror do Conde Heydrich? Você é um valente aventureiro e tem viajado pelas gélidas montanhas de Mauristatia, à procura de lendárias riqueza e fortuna. . . mas o que encontrou fez seu sangue congelar. Você descobriu, por acaso, o terrível segredo dos habitantes do local. Poderá você libertá-los da maligna tirania do sedento Conde, ou sucumbirá a um horripilante destino?

Bem vindos ao continente do Mundo Antigo. Lar de reinos ancestrais e misteriosos. Uma dessas terras situa-se nas inescaláveis Montanhas de Mauristatia, dividida em três reinos principais: Bathória, Lupravia e Mortvania. Este último é um reino que vive há décadas sob o jugo da tirania do misterioso Conde Reiner Heydrich. O protagonista é um aventureiro em busca de fama e fortuna e com isso viaja para Mortvania em busca desses dois elementos, mas se decepciona com a miserabilidade do lugar. Buscando um abrigo para a noite fria das montanhas, o viajante encontra o vilarejo de Leverhelven e adentra a pequena taverna do lugar, sendo extremamente mal recebido. Tentando manter contato com os moradores do local, o herói descobre o segredo terrível dos habitantes da vila. O lugar vive sob o domínio do nobre daquelas terras, o vampiresco Conde Reiner Heydrich. Para alimentar a si e a suas criaturas demoníacas, o Conde constantemente envia seus servos para seqüestrar os incautos e os desavisados, principalmente as jovens mulheres, que são levadas para seu castelo e são mortos para satisfazer as necessidades do maligno vampiro. Monstros perambulam constantemente pelas terras de Mortvania, originados do sombrio castelo, ao norte do reino. Emocionado com o sofrimento dos cidadãos, o herói aceita a oferta dos moradores em trazer de volta Nastassia, a última jovem capturada e levada para o castelo ou morrer se necessário. Há dois caminhos que levam para o covil de Heydrich; um deles você é convidado por um misterioso “cavaleiro sem cabeça” para uma carona até o castelo e o outro caminho pode ser feito andando. No castelo o protagonista descobrirá que o sinistro vampiro assassinou o antigo nobre do lugar, seu próprio irmão Siegfried Heydrich, e tomou o poder. Com a ajuda do fantasma de Siegfried, ele deverá passar pelos servos mortos-vivos que guardam os corredores do castelo assombrado, encontrar as únicas armas que poderão derrotar o impiedoso Conde e libertar Nastassia.

Nessa aventura é apresentado aos leitores à temática do gênero terror. 95% da história se passa no Castelo Heydrich, onde Nastassia foi levada. O lugar está guardado pelos sanguinários servos mortos-vivos do Conde: zumbis, vampiros, ghouls, esqueletos e outras criaturas indescritíveis, como o Dr Faustus. Para libertar nastassia do jugo maléfico do Conde, o herói deverá derrotá-lo em batalha, no entanto por ser um vampiro, ele possui diversas imunidades. Somente certos tipos de armas podem feri-lo ou enfraquecê-lo. Para conseguir estas armas o protagonista deverá vasculhar cada canto do castelo, como os quartos, a biblioteca, cozinhas, etc. Algumas armas e artefatos estão guardados por adversários poderosos e outros estão guardados em lugares tão secretos que somente a perspicácia e a inteligência do leitor poderá descobri-los. Dentro do castelo há também alguns parentes do Conde, como o Primo louco Wilhelm e a bela, porém fatal irmã do Conde, Katarina. Na verdade Katarina é a personagem-chave da aventura, pois o principal motivo do desaparecimento das jovens de Mortvania está relacionado com a irmã do Conde, revelando uma terrível surpresa no final da aventura. O herói também terá um segundo objetivo, que será encontrar e abrir a entrada para a cripta do castelo, onde se encontra o vampiro e seus servos mais poderosos.

“A Cripta do Vampiro” é um excelente livro-jogo, que, além de ser uma ótima homenagem às histórias de terror relacionados a vampiros, principalmente ao Conde Drácula, também possui um ótimo enredo. O livro é tão bem escrito que consegue transmitir ao leitor o suspense do lugar à medida que o herói vaga pelos corredores assombrados do castelo. Algumas lutas também são muito bem elaborados, principalmente a batalha final, onde há vários mecanismos para se enfrentar o Conde – e ele se revela como um dos vilões mais difíceis da série – uma vez que possui diversas imunidades, alta Habilidade e Energia, além de várias estratégias de fuga e defesa. Outro bom mecanismo criado no jogo é o novo atributo “Fé”, que quanto maior for, mais fácil será para o leitor vencer as criaturas do mal, bem como o próprio Conde. Infelizmente também há a chance do herói adquirir maldições (como a licantropia) e aflições, pois muitos dos inimigos são cadáveres doentios carregados de pragas. Com o decorrer da história o herói será capaz de aprender feitiços poderosos que serão utilizados para vencer os monstros, bem como vencer outros obstáculos. Outro aspecto inteligente foi a bo a colocação dos personagens do livro, como os parentes do Conde, bem como a interação de alguns deles em pontos muito importantes na história e em sua conclusão.

Keith Martin criou uma história muito legal, recheada de suspense e inimigos interessantes, além de uma fantástica e emocionante batalha final, baseada em turnos de ataque e defesa cuidadosamente elaborados. Embora seus livros sejam muito elogiados, infelizmente a editora brasileira só publicou um único livro desse autor. Há uma sequência que jamais foi publicada no Brasil intitulada “Revenge of the Vampire” (A Vingança do Vampiro), mas isso é uma outra história…

Notas e curiosidades:

  • O ilustrador da capa, Les Edwards nomeou “A Cripta do Vampiro” como seu melhor trabalho.
  • Há um notável erro na referência 350, onde diz: “…se sua Sorte for 12, sua Habilidade agora será 13”. Obviamente que o tópico Sorte deveria ser substituído por Habilidade.
  • Os parentes do Conde que se encontram no Castelo são: o fantasma do irmão mais velho de Reiner, Siegfried Heydrich, e os outros irmãos, Gunthar e Katarina. Além do primo Wilhelm.
  • Há sequência deste livro foi a única a ser escrita por um co-autor da série (Keith Martin), pois os outros livros seqüenciais foram escritos por Steve Jackson e Ian Livingstone.
  • O mapa de Steve Luxton, de Mortvania, é originalmente colorido, mas foi publicado pela editora brasileira em preto e branco.
  • Heydrich é originalmente o nome de um oficial alemão nazista chamado Reinhard Heydrich, responsável pelo massacre de milhares de judeus em campos de concentração e que morreu em 1942 na Tchecoslováquia.
  • Mortvania é uma homenagem ao condado da Transilvânia, na atual Romênia, palco das histórias de terror do escritor Bram Stoker e lar do Conde Drácula.
  • A personagem de Katarina é baseado na famosa condessa húngara Elizabeth Bathory, que bebia o sangue de jovens garotas com a ilusão de que permaneceria para sempre jovem.
  • O mapa presente no livro foi ilustrado por Steve Luxton
  • O livro foi a 13º publicação brasileira da série, embora tenha sido a 38º publicação da série original.

Localização: Mundo Antigo, Titan.
Localidades: Mortvania (Montanhas de Mauristatia).
Referências: 400.